Ao contrário da redução acentuada da taxa básica de juros, que
caiu de 14,25% ao ano em junho de 2016 para 10,25% ao ano em
junho de 2017 (ou seja, 28,1%), as taxas ativas (cobradas pelos
bancos) das pessoas físicas caíram apenas 8,1%, de 154,35% para
141,93% ao ano, no mesmo período, segundo pesquisa da Associa-
ção Nacional dos Executivos de Finanças e Administração (Anefac).
Trata-se da sétima queda mensal consecutiva e é inegável a
importância dessa queda dos juros cobrados dos tomadores pelos
bancos e outras instituições de crédito, mas cabe ressaltar que,
se essa tendência não for mais vigorosa, a economia demorará
mais tempo para se recuperar, como se constata pelos indicado-
res do comércio varejista.
Com a inflação em queda, há expectativa de novos recuos na
taxa básica, mas entre maio e junho a taxa média de juros ativos
cobrados das famílias caiu apenas 0,01%, chegando a subir no
parcelado do cartão de crédito e no cheque especial, com taxas
anuais de 355,11% e 303,60%, respectivamente. Caíram só os
juros do comércio, dos empréstimos pessoais e do financiamento
de automóveis nas operações de crédito direto ao consumidor por
parte de bancos e financeiras.
Também é lenta a queda dos juros cobrados das pessoas jurídi-
cas, que passaram da média de 94,93% ao ano, em maio, para
93,83% ao ano, em junho. Apenas no estado de Santa Catarina,
onde há sinais mais positivos de retomada da produção, os juros
caíram acima de 1% entre maio e junho. Em São Paulo, a queda pelo
mesmo critério de comparação foi de 0,90% de um mês para outro.
A pesquisa de juros da Anefac é feita com base nas taxas
livres. A média não é, portanto, influenciada para baixo pelos
juros do crédito direcionado, como o imobiliário e o consignado
em folha de pagamento, como ocorre em outras pesquisas, como
a do Banco Central. São as taxas livres apuradas pela Anefac as
que mais se aproximam das pagas por pessoas físicas e jurídicas
que vão aos bancos e às financeiras em busca de crédito.
Os níveis de juros no mercado livre, mesmo depois de caírem
por mais de um semestre e serem os menores desde dezembro de
2015 para as pessoas físicas e desde fevereiro de 2016 para as
pessoas jurídicas, continuam altíssimos, constituindo sério empe-
cilho ao financiamento das empresas e ao consumo das famílias.
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Vicente Nunes