foram dias bem difíceis, pois era necessário procurar por uma “ama” de
leite para Renato. Além disso, a falta da presença paterna influenciava e
muito na criação e educação daquele bebê.
Mas, você deve estar se perguntando, cadê o pai dessa criança? Pois
é, mesmo aos 38 anos, Renato se pergunta quem é o próprio pai e sobre sua
história até hoje. Nada se sabe. Contudo, dizem as más línguas que Renato
é fruto de uma única noite de sexo. Por esse motivo, perguntado sobre o
reconhecimento de paternidade, nem ele soube dizer se seu pai teve co-
nhecimento da gravidez de Denise ou se simplesmente nem quis saber. O
mesmo afirmou que nem cabe julgar, porém, a história de vida dele poderia
ter sido diferente, caso o pai soubesse da sua existência.
Os dias foram passando, a convivência e os laços afetivos com a bi-
savó iam se fortalecendo, mas como a vida parece injusta, aos três anos de
idade Renato se viu sozinho no mundo, novamente! É que dona Francisca
já era uma “velhinha” daquelas fofinhas de filme, e por isso, não demorou
muito para ficar doente e falecer. Ali começava o jogo de empurra de quem
iria ficar com a criança. Entretanto, não se tratava somente disto, Renato
iniciava constante busca por aquilo que é primordial na vida de qualquer
um: o amor.
AFETO, MAS NÃO ERA AMOR
Era o ano de 1983, faltavam apenas dois anos para o fim da Di-
tadura Militar no Brasil, quando Clarice Neves (nome fictício) foi até a
cidade maravilhosa buscar o sobrinho-neto, Renato. A dona de casa trouxe
a criança para Colatina, na região Noroeste do Espírito Santo e começou a
criá-lo junto ao esposo, Antônio (nome fictício). Os anos foram passando,
o menino foi crescendo e até buscou chamar a tia de mãe, sem hesitar, ela
deixou. Contudo, Renato ainda não se sentia amado, faltava aquela coisa
incondicional que só a relação mãe-filho pode explicar.
Enquanto fumava dois cigarros para relaxar, Renato me disse que
sempre foi uma criança levada, era difícil de se apegar afetivamente (ele
ainda o considera assim), talvez por achar que não tinha ninguém por ele.
Aos 11 anos perdeu a sua segunda referência de mãe, a tia Clarice. Ele até
sentia as perdas, mas não sofria como é esperado. Talvez, por resistência
causada pelas surras que levou da vida. Nessa época, ele teve que ficar com
o esposo da dona de casa. No entanto, não demorou muito para que o ho-
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