Órfãos de Mãe ÓRFÃOS DE MÃE-pages-3-51 | Page 31

foram dias bem difíceis, pois era necessário procurar por uma “ama” de leite para Renato. Além disso, a falta da presença paterna influenciava e muito na criação e educação daquele bebê. Mas, você deve estar se perguntando, cadê o pai dessa criança? Pois é, mesmo aos 38 anos, Renato se pergunta quem é o próprio pai e sobre sua história até hoje. Nada se sabe. Contudo, dizem as más línguas que Renato é fruto de uma única noite de sexo. Por esse motivo, perguntado sobre o reconhecimento de paternidade, nem ele soube dizer se seu pai teve co- nhecimento da gravidez de Denise ou se simplesmente nem quis saber. O mesmo afirmou que nem cabe julgar, porém, a história de vida dele poderia ter sido diferente, caso o pai soubesse da sua existência. Os dias foram passando, a convivência e os laços afetivos com a bi- savó iam se fortalecendo, mas como a vida parece injusta, aos três anos de idade Renato se viu sozinho no mundo, novamente! É que dona Francisca já era uma “velhinha” daquelas fofinhas de filme, e por isso, não demorou muito para ficar doente e falecer. Ali começava o jogo de empurra de quem iria ficar com a criança. Entretanto, não se tratava somente disto, Renato iniciava constante busca por aquilo que é primordial na vida de qualquer um: o amor. AFETO, MAS NÃO ERA AMOR Era o ano de 1983, faltavam apenas dois anos para o fim da Di- tadura Militar no Brasil, quando Clarice Neves (nome fictício) foi até a cidade maravilhosa buscar o sobrinho-neto, Renato. A dona de casa trouxe a criança para Colatina, na região Noroeste do Espírito Santo e começou a criá-lo junto ao esposo, Antônio (nome fictício). Os anos foram passando, o menino foi crescendo e até buscou chamar a tia de mãe, sem hesitar, ela deixou. Contudo, Renato ainda não se sentia amado, faltava aquela coisa incondicional que só a relação mãe-filho pode explicar. Enquanto fumava dois cigarros para relaxar, Renato me disse que sempre foi uma criança levada, era difícil de se apegar afetivamente (ele ainda o considera assim), talvez por achar que não tinha ninguém por ele. Aos 11 anos perdeu a sua segunda referência de mãe, a tia Clarice. Ele até sentia as perdas, mas não sofria como é esperado. Talvez, por resistência causada pelas surras que levou da vida. Nessa época, ele teve que ficar com o esposo da dona de casa. No entanto, não demorou muito para que o ho- 26