CAPÍTULO 4
MAS, O QUE É O AMOR?
Renato Souza
Não sabemos o porquê fomos agraciados com o dom da vida, e
também não nos passa na cabeça o real motivo por existirmos. Mas, há
pessoas que com certeza, vieram ao mundo para ensinar alguma coisa
como por exemplo, o amor. Esse é o caso de Renato Souza (nome fictício),
que mesmo tendo sido abandonado por sua progenitora logo nos primei-
ros dias de vida, não deixa de ensinar e pregar o amor incondicional ao seu
único e amado filho, Vinícius (nome fictício).
Era início de uma noite de domingo quando fui conversar com Re-
nato, ele havia acabado de chegar de um evento, seu atual ganha-pão. O
mesmo parecia tenso e eu nem imaginava o porquê. Entretanto, todo o
nervosismo e tensão sentidos por ele naquele momento era visivelmente
notório e compreensível. Afinal, trazer à tona uma história que carrega
consigo mágoas e inúmeras indagações deixam qualquer um apreensivo.
Até mesmo eu, que sempre fico reflexiva após entrevistas como a que tive
com ele e com os demais que fazem parte deste livro.
Confesso que compreender essa história não foi algo fácil, pois per-
cebi que o produtor de eventos mal conhece a própria história – algo que
o deixa triste. Renato nasceu em 1980, na cidade Nova Iguaçu, localizada
no Rio de Janeiro e como muitas crianças brasileiras, não teve a presença
do pai durante sua gestação. Entretanto, como diz o ditado popular: não
existe nada tão ruim, que não possa piorar! Digo isso porque ainda bem no
início da vida Denise Lopes (nome fictício), mãe de Renato, deu o próprio
filho para a avó dela alegando que não tinha como criar. Tal justificativa
acaba sendo intrigante, já que, anteriormente, Denise havia abandonado
outros dois filhos.
Denise, sem querer e poder ficar com mais um filho, deu Renato
para a avó, cujo o relacionamento entre as duas era bom. Já que a jovem
não tinha relação mãe-filho com a própria mãe, Cesária (nome fictício).
Dona Francisca (nome fictício), recebeu e acolheu de braços abertos aque-
le frágil e pequeno bebê de colo, que viria a ser seu bisneto. De início,
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