À beira do precipício pd51 | Page 78

ficou evidente a necessidade de considerar as variáveis econômi- cas, sociais e ambientais nos processos de desenvolvimento, em qualquer escala territorial, tanto em nível mundial, quanto nacional e local. Iniciou-se um processo de tomada de consciência e de discus- são das questões ambientais, em função dos graves problemas decorridos dos desenvolvimentos industrial e urbano, da concen- tração de populações e indústrias, ampliando o nível de poluição das águas, da atmosfera e dos solos, impactando, cada vez mais, os ecossistemas do planeta. Posteriormente, aconteceram as conferências do Rio de Janeiro, em 1992; a de Joanesburgo, na África do Sul, em 2002; e, novamente, no Rio de Janeiro, em 2012, a Rio+20. Desde então, avançou-se pouco em termos globais, em relação às demandas ambientais em discussão: a maioria dos problemas não foram enfrentados e as soluções continuam sendo adiadas. A conferência do Rio, em 1992, foi realizada com grandes expectativas e havia um otimismo por parte da maioria dos parti- cipantes. Em 2012, na última conferência mundial, a RIO+20, o cenário era de frustração em relação ao que fora planejado em 1992, principalmente em relação às metas da Agenda 21 e às medidas que deveriam ser tomadas para minimizar os efeitos das mudanças climáticas, que vêm causando danos irreversíveis aos ecossistemas planetários, impactando populações em regiões lito- râneas com o aumento do nível do mar em todo o planeta. Por outro lado, constata-se, de maneira positiva, a ampliação da consciência mundial, dos movimentos políticos e sociais e de uma participação cada vez mais ampla da comunidade científica, os quais clamam para que se trate, com a urgência devida, as questões ligadas à degradação dos ecossistemas, das mudanças climáticas e das relacionadas com a exclusão social, como também a necessidade de uma nova economia, de baixo consumo de carbono, variáveis a serem consideradas na perspectiva de outro tipo de desenvolvimento, que se quer sustentável. Ainda há que observar, no cenário atual, os impactos econô- micos, sociais e ambientais causados pelas guerras regionais, os conflitos étnicos e religiosos, assim como a migração de milhares de pessoas do continente africano e asiático para a Europa e as migrações internas no continente americano, apontando para realidades econômica, social e ambiental insustentáveis. 76 George Gurgel de Oliveira