À beira do precipício pd51 | Seite 72

Já no seguimento de PPP, há evidente quebra na relação de confiança entre investidores privados e governos. A fragilidade dos mecanismos garantidores das contraprestações precisa ser superada pela criação de formas de vinculação efetiva do agente público. Esses instrumentos devem funcionar também como miti- gadores de comportamento político oportunista, que afeta grave- mente a consistência temporal dos contratos e, consequentente, a própria viabilidade desse mercado. Nesses modelos, os parceiros privados incorrem em considerá- veis investimentos antes de qualquer recebimento, situação onde a possibilidade de comportamento oportunista se inverte. Após investir, em caso de imposição de dificuldades pelo governante do momento, é o parceiro privado quem enfrentará dificuldades operacionais e financeiras caso se negue a participar de respeti- vas rodadas de negociação. Por fim, o comportamento repetitivo, de múltiplos governos, termina por afastar possíveis parceiros privados de concessões que seriam boas para o governo e para a sociedade. Esse é um problema cuja solução passa, necessaria- mente, pela reorganização do mercado garantidor de contrapres- tação e pela efetiva punição de governantes que lancem mão da ameaça de encampação ou caducidade contratual, mas sem argu- mentos econômicos e jurídicos para tanto. Uma agenda para a retomada no investimento privado Segundo a CNI (2018), os dez principais problemas enfrenta- dos pela indústria são: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) Elevada carga tributária; Demanda interna insuficiente; Falta de capital de giro; Burocracia excessiva; Inadimplência dos clientes; Taxa de juros elevada; Falta de financiamento de longo prazo; Insegurança jurídica; Competição desleal; Falta ou alto custo de matéria-prima; e, Licenciamento ambiental. Que pesem parecerem desconexos, esses dez problemas podem ser ordenados em dois conjuntos, com uma pequena área de inter- 70 Demetrio Oliveira; José Carneiro Neto; Piscila Alvim