À beira do precipício pd51 | Page 186

Cerradania José Eduardo Gomes C errado é fechado, em espanhol! Longe do litoral, é o sertão! A oeste do Meridiano de Tordesilhas era da Espanha. Os espanhóis interessaram-se por suas possessões antes dos portugueses, mas estes, depois, foram ultrapassando a linha de Tordesilhas e alargando o Brasil, apossando-se de grande extensão de cerrado. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, oeste de Minas Gerais, sul do Maranhão e do Piauí. Os solos do bioma Cerrado são muito antigos, chegando a atingir 20 metros de profundidade. A vegetação possui raízes profundas, buscando no fundo água e nutrientes. Árvores retorci- das, pequenas, com alto grau de adaptação ao meio ambiente, espalhadas entre arbustos e gramíneas. Guimarães Rosa reinventou-o em 1956. Grande Sertão: Vere- das colocou-o no imaginário dos apreciadores de alta literatura. Com Sagarana, 1946, mostrou o caminho. Outros haviam passado por ali, como Bernardo Élis, em 1940. Cora Coralina viveu quase oito décadas antes de se revelar. Todos, produtos do cerrado. Manoel de Barros voltou do Rio de Janeiro, o Pantanal mais belo e rico. O Distrito Federal está todo dentro do cerrado. Agronegócio Cerrado fértil. Culturas de soja, café, batata, maracujá, trigo e morango. Resiste, mesmo coberto por extensas plantações de soja. Estradas quilometrosas. Destaque na produção de grãos, carne e leite. Território de araras Vereda é oásis no cerrado. Vereda de buritis, longa, incerta e escoltando límpida água, aceitando peixes pequenos e alongando- se a jusante, plantando novos cocos. A exemplar Vereda Imperial, embalando o berço do córrego Dois Irmãos, quase desde a nascente até entrega-lo às dezenas de cachoeiras da Chapada Imperial. Sem as copas, os coqueiros ocos tornam-se abrigos dos ninhos 184