pelo simples motivo de terem nascido em uma família rica, enquanto a maior parte dos pobres continuarão pobres, no decorrer da vida, simplesmente por terem nascido em uma família pobre”( p. 143). Parece que ser ricos ou pobres é para Harari uma lei da natureza. Aliás, o autor mistura as leis da natureza com as da sociedade, sem muito critério.
Seria longo demais analisar as teses de Harari como, por exemplo, a das vantagens que os imperialismos, no decorrer dos tempos, trouxeram aos povos dominados. Seriam necessárias muitas páginas o que não cabe num texto como este.
Por fim, dando um salto para o Epílogo do livro encontramos:“ Avançamos de canoas e galés a navios a vapor e naves espaciais – mas ninguém sabe para onde estamos indo. Somos mais poderosos do que nunca, mas temos pouca ideia do que fazer com todo esse poder”( p. 427).
Os opressores, os donos do grande capital, sabem bem o que fazer com“ todo esse poder”: aumentar sua riqueza. Eles são poucos. Mas boa parte da humanidade pensa que“ todo esse poder” poderia acabar com a fome, reduzir as doenças e as desigualdades entre pessoas, povos e classes sociais. É uma ideia, há muito tempo, acalentada, pelo menos desde a Grécia clássica.
Sapiens – Harari, Marx e Engels
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