as ferramentas, associados às mutações genéticas, identificaremos os principais impulsionadores desta evolução.
Quando a mutação favorecia a sobrevivência e a reprodução, ela permanecia. Quando não, a descendência era descartada pela seleção natural. Em cada ramo da árvore filogenética, os fatores antes mencionados atuaram a curto, médio e a longo prazo. O que ainda não sabemos é como todos eles atuaram. Mas já sabemos da ação de alguns.
Por exemplo, sabemos que as fases de aceleração evolutiva se produziram sob o efeito de eventos climáticos; que o cozimento de alimentos, ao reduzir a demanda de energia e o tempo para a digestão, deixou mais tempo para a caça e favoreceu o crescimento do cérebro, um órgão que exige muita energia. Pelo que vem acontecendo na história, a aceleração das descobertas científicas vai permitir outros avanços na identificação do peso de cada um dos fatores apontados na evolução até o homo sapiens.
Em sua análise, Harari não leva em conta a unidade dialética entre quantidade e qualidade, especialmente relevante para a compreensão de fenômenos de longo prazo, como é o caso do tempo decorrido entre as mutações genéticas que atuaram neste período de aproximadamente 2 milhões de anos.
Harari continua“[...] mas mesmo com tais atributos, desenvolvidos durante 2 milhões de anos, os homens [...] continuaram sendo criaturas fracas e marginais”. Até que, há cerca de 150 mil anos, surge o homo sapiens. Algumas páginas depois, ele atribui o salto do homo sapiens ao topo da cadeia alimentar“[...] à sua linguagem única”( p. 27). A linguagem foi um fator da maior importância mas há que correlacioná-la com os fatores que agiram durante 2 milhões de anos. Ela evoluiu com eles e é também consequência dos mesmos.
Mais adiante, depois da etapa do homem caçador-coletor, ao constatar que“ não existe justiça na história”, Harari diz:
Entender a história humana nos milênios que sucederam a Revolução Agrícola( algo em torno de 12.000 anos atrás) se resume a uma única questão: como os humanos se organizavam em redes de cooperação em massa, uma vez que careciam de instintos biológicos para sustentar tais redes? A resposta sucinta é que os humanos criaram ordens imaginadas e desenvolveram sistemas de escrita. Essas duas inven-
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