UALGORITMO 8.1 JUNHO 2026 Junho 2026 | Page 31

Quitosano polímero produzido a partir do polissacarídeo quitina que é uma substância estrutural presente na parede celular de fungos e leveduras, na carapaça de crustáceos marinhos( como o caranguejo, a lagosta ou o camarão) e no exo-esqueleto de artrópodes. O quitosano é usado em aplicações biomédicas por ser um polímero biocompatível, biodegradável, ter baixa toxicidade, ter propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas, antifúngicas e anticancerígenas.
Tripolifosfato de sódio composto com a fórmula química Na5P3O10. Em solução aquosa dissocia-se nos iões sódio( Na +) e tripolifosfato( P3O105-).
Gelificação ionotrópica método de síntese de nanopartículas baseado na interação eletrostática estabelecidas entre compostos com grupos iónicos com cargas opostas, em que um deve ser um polímero. Estes grupos ao interagirem em solução aquosa sob agitação magnética, permitem a reticulação levando á formação de partículas esféricas. Neste processo a substância a encapsular na nanopartícula fica incor-porada entre as cadeias poliméricas formadas.
Condrócitos células da cartilagem, responsáveis pela produção de vários compostos, como o colagénio e proteoglicanos, essenciais para a resistência e elasticidade da cartilagem.
Células vasculares do músculo liso células presentes na parede dos vasos sanguíneos, responsáveis pela contração e relaxamento dos vasos, regulando o fluxo e a pressão sanguínea. Também participam na produção de componentes da matriz extracelular e no remodelamento vascular, especialmente em condições patológicas.
Potencial zeta é uma propriedade física que reflete magnitude da interação eletrostática entre partículas quando estas se encontram em solução. É uma medida importante na caracteri-zação de nanopartículas e na avaliação da estabilidade da dispersão, pois, se este for muito baixo, as partículas tendem a agregar e precipitar. sintetizadas por um processo de gelificação ionotrópica, que tira partido da carga positiva do quitosano e da carga negativa do ião tripolifosfato. As partículas obtidas( designadas como FCNG, apresentadas na Fig. 1) foram caracterizadas, tendo sido confirmada a sua forma globular, dimensões nanométricas e potencial zeta correspondente a partículas estáveis em suspensão. Além disto, confirmou-se a encapsulação de GRP nas nanopartículas e verificou-se a sua estabilidade ao longo do tempo.
Figura 1. Imagens representativas das nanopartículas carregadas com GRP( FCNG), obtidas por microscopia eletrónica de transmissão.
Estudou-se a adesão / incorporação das partículas por células através de citometria de fluxo, usando macrófagos previamente expostos a FCNG. Utilizando marcadores adequados, foi possível verificar uma colocalização de nanopartículas nas células bem como a presença de GRP.
Potencial anti-inflamatório das nanopartículas carregadas com GRP
O potencial anti-inflamatório das FCNG foi avaliado em modelos celulares relevantes, que representam processos de inflamação e calcificação associados às DIC como a osteoartrite e a doença cardiovascular. Nestes ensaios experimentais, as células foram prétratadas com FCNG durante 24 horas e posteriormente induzida a inflamação, utilizando agentes pró-inflamatórios adequados a cada modelo.
Assim sendo, primeiramente utilizaram-se os macrófagos, uma vez que estes são característicos das inflamações crónicas e responsáveis ativos na produção de mediadores químicos( citoquinas). Os resultados mostram que a formulação FCNG tem ação anti-inflamatória uma vez que diminui os níveis de citocinas pró-inflamatórias( IL-1β, IL-6) e o NF B, um reconhecido fator de sinalização de reações pró-inflamatórias( Fig. 2). Além disso, foi ainda possível verificar que o aumento da GRP resulta da adição exógena das nanopartículas, e o efeito anti-inflamatório observado é mediado não só pelo aumento de GRP extracelular, mas também pelo aumento dos níveis intracelulares de GRP, resultante da captação das FCNG pelas células.
Seguidamente utilizaram-se células vasculares do músculo liso como um modelo da doença cardiovascular, e condrócitos como um modelo da osteoartrite. Nestes modelos os resultados foram consistentes com o observado nas células de macrófagos humanas sujeitas a inflamação, reforçando desta forma o efeito anti-inflamatório das FCNG.
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