CRÓNICA CHRONICLE
REI DAS PROFUNDEZAS
king of the deep
Por/By Fernando Correia de Oliveira (Jornalista e investigador / Journalist and researcher)
E
m 1914, mais precisamente a 15 de Julho desse
ano, o Observatório de Kew, nos arredores de
Londres, emitia pela primeira vez um certificado
de classe “A” a um relógio de pulso.
Tratava-se de um relógio Rolex, modelo feminino, e davase assim o primeiro passo no relógio de pulso de precisão,
pois esta categoria de certificado estava até então reservada
normalmente aos cronómetros de marinha, que tinham
um comportamento isocrónico muito acima dos restantes
marcadores de tempo, incluindo os normais relógios de bolso.
Os testes do Observatório de Kew eram os mais exigentes
da altura - 45 dias, em cinco posições e a três temperaturas
(glaciar, estufa e ambiente). O Rolex de pulso teve um desvio
de menos de +1 segundo por dia.
Com o seu relógio de pulso de senhora a Rolex provava
ser possível produzir um pequeno calibre com a mesma
precisão que a de um cronómetro de marinha. Para o
proteger da poeira e da água, a Rolex fizera uma caixa dupla
para este modelo, e já estava a trabalhar no conceito de
estanquecidade que iria evoluir anos depois para a caixa
Oyster.
Já em 1910 a Rolex tinha obtido um boletim de
cronometria para um relógio de pequeno formato emitido pelo
departamento oficial suíço, em Bienne. Este reconhecimento
contribuiu bastante para que a Rolex passasse a ser
considerada marca de qualidade, com os seus relógios de
pulso certificados como cronómetros. Actualmente, aliás, a
Rolex mantém a posição de primeiro fabricante mundial de
cronómetros mecânicos certificados COSC.
A marca dava em 1926 outro passo na definição do relógio
de pulso moderno ao apresentar a caixa estanque, Oyster
(ostra, com sistema patenteado de enroscar da luneta,
do fundo e da coroa), e ainda um outro, em 1931, quando
apresentou o calibre de carga automática, por rotor Perpetual.
Hoje em dia, todos os modelos Rolex Oyster Perpetual são
cronómetros certificados oficialmente.
O homem por detrás de todos estes desenvolvimentos era
o alemão Hans Wilsdorf, que tinha fundado a Rolex em 1905.
Ele foi dos primeiros a apostar no futuro do relógio de pulso,
uma peça considerada efeminada e de moda passageira,
face ao relógio de bolso. Além disso, os relógios de pulso,
com os seus calibres mais peque