Confissões, preces e referências religiosas na poesia de Joaquim Cardozo
06 O horto dos jesuítas; 07 E neste mar distante e verde, neste mar 08 Numeroso e longo 09 Ainda vejo as caravelas...
10 Sábio silêncio do Observatório 11 Quando à noite as estrelas passam sobre Olinda
12 Muros que brincam de esconder moitas, 13 Calçadas que descem cascateando nas ladeiras.
14 Olinda, 15 Quando o luxo, o esplendor, o incêndio 16 E os Capitães-mores e os jesuítas 17 E os Bispos e os Doutores em Cânones e Leis.
18 E ainda 19 Com as velhas bicas, os velhos pátios das igrejas: 20 Amparo, Misericórdia, S. João, S. Pedro, 21 Nossa Senhora de Guadalupe; 22 E os Beneditinos e as irmãs Dorotéias 23 E os padres de S. Francisco. 24 Neste silêncio, neste grande silêncio, 25 No terraço da Sé, 26 Sentindo a tarde vir do mar, tão doce e religiosa, 27 Como a alma celestial de S. Francisco de Assis.
( CARDOZO, 2007, p. 153).
O poema“ Olinda” apresenta versos livres distribuídos em 6 estrofes irregulares: na primeira, há 4 versos, que expõe algumas questões presentes na cidade intitulada no título do poema; na segunda estrofe, possui 5 versos que descrevem recordações históricas oriundas da presença dos jesuítas, além disso, surge no eu lírico um sentimento nostálgico de melancolia; na terceira, há apenas 2 versos, que apontam para o observatório presente próximo a igreja da Sé em Olinda; na quarta estrofe, igual a anterior, possui 2 versos, que apresenta um toque misterioso sobre o ambiente; na quinta estrofe, com 4 versos, discorre, também, sobre questões históricas relevantes ocorridas em Olinda; e, por fim, na última estrofe, sendo a mais longa de todo poema, possui 10 versos, que explanam sobre edifícios e alguns nomes de religiosos.
Este poema foi publicado pela primeira vez no livro Poemas em 1947, livro este, que possui uma temática mais regional. Felipe Fortuna( 1987) publicou no Jornal do Brasil que“ da estreia tardia de Poemas( 1947), em que reuniu poemas da fase modernista, seu tom regionalista, sempre nostálgico, evoluiu para uma linguagem em que os registros da arquitetura [...] promoveram não apenas o poeta, mas o homem de ideias.”( apud CARDOZO, 2007, p. 47). Assim, neste primeiro livro de Joaquim Cardozo, o toque regional irá predominar, trazendo, muitas vezes, um eu lírico que se comporta como observador da sua região.
Neste poema, Joaquim Cardozo manifesta um eu que se apresenta como examinador do espaço a qual se inserem, destacando-se a familiaridade do sujeito lírico diante das questões que estão presentes em sua volta.
Logo no título já surge o nome da cidade a qual será trabalhada no discurso do poema, desse modo, é interessante evidenciar alguns fatores históricos no decorrer da análise, tanto referentes às questões religiosas, como também, dos aspectos regionais que envolvem a cidade. Isto é bem demarcado no primeiro verso do poema, que contém apenas uma palavra
Série Iniciados v. 23
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