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Produção biotecnológica de lipídeos e carotenóides utilizando o bagaço do sisal como substrato
em células foi superior, em ambos os casos, ao obtido por Silva( 2016) em sua melhor condição de cultivo para a mesma cepa, 0,5188 g / g.
Por fim, foram extraídos e quantificados os carotenoides produzidos ao longo do cultivo. A extração dos carotenoides totais obtidos nos bioprocessos, licor adsorvido( AD) e não adsorvido( NAD), foi realizada de acordo com uma adaptação dos estudos propostos por Rodriguez-Amaya & Kimura( 2004) onde se realizou uma coleta de 5 mL do meio fermentado após 120 h, em seguida a mesma foi transferida para um tubo Falcon de 15 mL. O meio fermentado foi então centrifugado, onde ocorreu a separação da fase líquida, sobrenadante, e à fase sólidacélulas, sendo a fase líquida descartada e na fase sólida foi adicionada 2 mL de dimetilsufóxido a 60 º C mais o acréscimo de 0,5 g de pérolas de vidro.
O sistema células-pérolas, contido no tubo, foi agitado em vortex por 2 min. Após esta etapa, realizou-se a incubação do sistema a 60 º C por 15 minutos. Logo após esse período foram adicionados 2 mL de éter de petróleo e mais uma agitação de 2 min foi realizada. Ao fim, foram adicionados 2 mL de solução de NaCl 20 %( m / v) e mais uma agitação em vortex foi realizada por 1 min. O conjunto foi então centrifugado a uma rotação de 3600 rpm por 15 min. Uma alíquota de 3 mL do sobrenadante contendo os corantes foi recolhida e submetida à leitura em espectrofotômetro( 450 nm). A absorbância foi então convertida em concentração por meio da relação de Beer- Lambert que correlaciona a mesma junto com a absortividade molar das espécies químicas com uma dada concentração de acordo com a Equação 2.
A × V × 104 Carotenoides totais =( 2) a × m
Onde: [ Carotenoides totais
]: concentração de carotenoides totais em µ g / g de célula; A: absorbância a 450 nm; v: volume de extrato da amostra; a: absortividade molar da espécie química( carotenoides em geral, 2592); m: massa de amostra. Foi obtida uma concentração de carotenoides de 0,6829 ± 0,0213 mg / L, para o cultivo sem ação inibitória, e 0,3449 ± 0,0621 mg / L para o cultivo em licor não tratado.
Observa-se que a detoxificação do licor hidrolisado( retirada de inibidor) foi um tratamento benéfico para a maior produção de carotenoides.
Schneider et al.( 2013) encontraram um valor máximo de 0,6 mg / L em seu trabalho quando utilizou apenas meio residual para o crescimento e ainda verificaram que há uma influência positiva da concentração de carbono no meio sob a síntese desses bioativos uma vez que na maior concentração de suplementação estudada pelo mesmo, tal teor chegou ao valor de 1,2 mg / L. Já Squina & Mercadante( 2003) ao estudarem a produção de carotenoides por cinco linhagens diferentes do gênero Rhodotorula encontraram um teor de 0,2517 mg / L para a espécie glutinis, 0,1235 mg / L para o rubra, 0,1058 mg / L para a lactosa, 0,1132 mg / L para a araucariae e 0,1037 mg / L para o cultivo com a espécie minuta. Todos os cultivos dos autores foram realizados em meio Y. M. acrescido de 10 g / L de glicose.
Conclusões
O bagaço do sisal, por meio da presente pesquisa, constitui uma ótima matriz fornecedora de açúcares fermentescíveis, tendo em vista os resultados aqui obtidos, pela produção de biomassa, e a consequente síntese de bioativos pela levedura R. mucilaginosa em hidrolisado ácida. É preciso dar continuidade aos estudos para maximização do processo de obtenção dos bioativos.
Pode-se concluir que de fato o bagaço do sisal apresenta potencial como substrato na produção de bioprodutos, em especial os carotenoides totais, tendo como base os bons resultados encontrados nessa pesquisa.
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