Produção biotecnológica de lipídeos e carotenóides utilizando o bagaço do sisal como substrato
taxa de aeração, temperatura e luminosidade.
Logo, a otimização de tais condições é a
chave central por trás da ampliação da
comercialização e competitividade dos
pigmentos biotecnologicamente obtidos
frente aos sintéticos (BANZATTO et al., 2013).
Dentre os microrganismos capazes de
produzir tais substâncias via ação metabólica,
destacam-se os seguintes: Rhodotorula,
Phaffia rhodozyma, Sporobolomyces, Blakeslea
trispora e Haematococcus pluvialis. A pro porção
e tipo de carotenoides produzidos pelos
mesmos pode variar de acordo com o gênero
e condição de cultivo. Sendo que os mais
investigados são a astaxantina, β-caroteno,
cantaxantina, toruleno e licopeno (VALDUGA
et al., 2009).
O ponto principal por trás da
otimização de bioprocessos, em geral e na
síntese de carotenoides, está na busca por
fontes alternativas de carbono, uma vez
que este é o fator que atua como principal
responsável por promover energia e
crescimento aos microrganismos. Logo, o uso
de resíduos agroindustriais vem crescendo
fortemente nos últimos anos.
À medida que o conceito de
sustentabilidade vem sendo difundido no
meio industrial, o emprego de resíduos
como matéria-prima para a produção
biotecnológica de produtos fermentados
vem se consolidado cada vez mais. Esses
resíduos apresentam uma composição bem
característica, são os chamados materiais
lignocelulósicos, Figura 2, pois os mesmo
possuem em sua composição bioquímica
basicamente: celulose, lignina e hemicelulose
em proporções que variam para cada tipo de
material e época/local de cultivo (CANILHA et
al., 2012).
No mundo, a produção de sisal
ultrapassa a marca de 400 mil toneladas
anualmente e só no Brasil, em 2014, foram
produzidas 95,4 mil toneladas, dados
do Ministério da Agricultura do país. Tal
atividade gera em torno de 391 mil toneladas
de rejeitos não aproveitáveis. A industrial do
sisal atualmente utiliza apenas 4% da sua
folha para a produção de fibra e o resíduo
(bagaço), na maioria dos casos, é descartado
de forma inadequada no meio ambiente o
que vem causando danos aos solos e meio
hídricos devido à alta demanda bioquímica
de oxigênio (DBO) requerida pelo mesmo
para sua decomposição (MARAN & PRIYA,
2015).
A Figura 3 apresenta a cultura do sisal. A
utilização do bagaço do sisal como matéria-
prima para a manutenção de processos
microbiológicos se mostra viável tendo
como base a boa proporção dos polímeros
orgânicos que o compõem (MARTIN, et al.,
2009).
Figura 2. Representação da estruturação lignocelulósica das biomassas
Fonte: Medeiros (2015, apud Meon & Rao, 2012).
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Série Iniciados v. 23