Série Iniciados Vol. 23 | Page 522

Produção biotecnológica de lipídeos e carotenóides utilizando o bagaço do sisal como substrato taxa de aeração, temperatura e luminosidade. Logo, a otimização de tais condições é a chave central por trás da ampliação da comercialização e competitividade dos pigmentos biotecnologicamente obtidos frente aos sintéticos (BANZATTO et al., 2013). Dentre os microrganismos capazes de produzir tais substâncias via ação metabólica, destacam-se os seguintes: Rhodotorula, Phaffia rhodozyma, Sporobolomyces, Blakeslea trispora e Haematococcus pluvialis. A pro porção e tipo de carotenoides produzidos pelos mesmos pode variar de acordo com o gênero e condição de cultivo. Sendo que os mais investigados são a astaxantina, β-caroteno, cantaxantina, toruleno e licopeno (VALDUGA et al., 2009). O ponto principal por trás da otimização de bioprocessos, em geral e na síntese de carotenoides, está na busca por fontes alternativas de carbono, uma vez que este é o fator que atua como principal responsável por promover energia e crescimento aos microrganismos. Logo, o uso de resíduos agroindustriais vem crescendo fortemente nos últimos anos. À medida que o conceito de sustentabilidade vem sendo difundido no meio industrial, o emprego de resíduos como matéria-prima para a produção biotecnológica de produtos fermentados vem se consolidado cada vez mais. Esses resíduos apresentam uma composição bem característica, são os chamados materiais lignocelulósicos, Figura 2, pois os mesmo possuem em sua composição bioquímica basicamente: celulose, lignina e hemicelulose em proporções que variam para cada tipo de material e época/local de cultivo (CANILHA et al., 2012). No mundo, a produção de sisal ultrapassa a marca de 400 mil toneladas anualmente e só no Brasil, em 2014, foram produzidas 95,4 mil toneladas, dados do Ministério da Agricultura do país. Tal atividade gera em torno de 391 mil toneladas de rejeitos não aproveitáveis. A industrial do sisal atualmente utiliza apenas 4% da sua folha para a produção de fibra e o resíduo (bagaço), na maioria dos casos, é descartado de forma inadequada no meio ambiente o que vem causando danos aos solos e meio hídricos devido à alta demanda bioquímica de oxigênio (DBO) requerida pelo mesmo para sua decomposição (MARAN & PRIYA, 2015). A Figura 3 apresenta a cultura do sisal. A utilização do bagaço do sisal como matéria- prima para a manutenção de processos microbiológicos se mostra viável tendo como base a boa proporção dos polímeros orgânicos que o compõem (MARTIN, et al., 2009). Figura 2. Representação da estruturação lignocelulósica das biomassas Fonte: Medeiros (2015, apud Meon & Rao, 2012). 522 Série Iniciados v. 23