Morrer no Semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios
Para as mulheres entre 1 e 29 anos as
Causas Externas de Morbidade e Mortalidade
foram o principal grupo, tendo como
principal causa os Acidentes de Transporte.
Para a faixa de 29 a 59 anos o principal grupo
foi Neoplasias, com destaque para a Neoplasia
Maligna da Mama. Na faixa de 60 anos ou
mais o principal grupo foi o de Doenças do
Aparelho Circulatório sendo a principal causa
as Doenças Cerebrovasculares. O mesmo ocorre
ao se observar o total geral.
Em âmbito mundial como visto pela
WHO (2013) as doenças relacionadas aos
agravos não-transmissíveis têm se elevado
rapidamente. A inatividade física e as dietas
chamadas de “não saudáveis” têm elevado
a incidência destas doenças. As taxas de
mortalidade e morbidade por doenças
cardiovasculares (DCV) e a neoplasias vem
passando por um aumento nos últimos anos
nos países em desenvolvimento. Projeções
para 2020 indicam que as DCV permanecerão
como principal causa de mortalidade e que
as neoplasias vão aumentar (SCHRAMM et
al, 2004). Assim, o aumento das doenças
crônicas (cardiovasculares e neoplasias) no
Semiárido apontaram uma tendência que
também é observada no país.
A Tabela 4 mostra as microrregiões
dos estados pertencentes ao espaço
geográfico do Semiárido classificado segundo
a análise de cluster. O Grupo 1 é caracterizado
por cobrir todos os Estados com exceção de
Sergipe sendo também o grupo que mais
possui microrregiões nos estados de Alagoas
e Piauí. O Grupo 2 está presente em todos
os estados e é o grupo mais presente em
todos Estados, com exceção nos dois citados
anteriormente no Grupo 1. Já o Grupo 3 é
caracterizado por estar presente em todos
os estados com exceção de Alagoas e não
possuir o maior número de microrregiões em
nenhum dos estados. A maior concentração
de microrregiões ficou no Grupo 2 com 68
(49,6%) microrregiões das 137 e o menor no
Grupo 3 com 23 (16,8%) das microrregiões.
Alagoas teve 85,7% de suas microrregiões
classificadas no Grupo 1 seguido pelo Piauí
com 54,6%. O Grupo 2 possuiu mais de 50%
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Série Iniciados v. 23
em quase todos os Estados, as exceções
ficaram com AL, CE, PE e PI. As maiores
percentagens de microrregiões no grupo 3
ficaram com 33,3% e 30,8% representando
respectivamente Sergipe e Pernambuco.
A Tabela 5 mostra as microrregiões
do semiárido classificados segundo a
cobertura e a causas mal definidas de acordo
com os grupos identificados na análise de
cluster. A cobertura dos óbitos concentrou as
microrregiões nas faixas ≤ 80% e 80 - 90%
com 52 microrregiões, representando em
conjunto 76% do total das microrregiões.
As causas mal definidas estiveram
concentradas na faixa de 10-20% com 59
microrregiões representando 43,1% do total.
O Grupo 2 foi o que concentrou o maior
número de microrregiões com 68 delas.
Ao desagregá-las, quase a metade (33)
apresentou uma cobertura com valor de 80-
90% e as mal definidas com quase a mesma
quantidade (32) ficou entre 10-20%.
O Grupo 1 teve sua maior frequência de
microrregiões na classificação de cobertura
≤ 80% e com causas mal definidas ≥ 30%.
O Grupo 3 conteve a menor quantidade de
microrregiões com, apenas 23. A maiores
concentrações de microrregiões possuíram
mal definidas 10 - 20% com cobertura > 90%.
As diferenças entre os grupos gerados
pela análise de cluster estão apresentadas na
Tabela 6 que dispõem as médias dos grupos,
média geral com p-valor < 0,05, valor da
razão variância entre/intra-grupos (F) e sua
significância.
A
estatística
F
mostrou-se
significativa para a cobertura de óbitos,
Estratégia de Saúde da Família, porcentagem
da população em domicilio com energia
elétrica e o IDHM. Assim, observa-se que para
variáveis tidas como demográficas, houve
diferenças significativas para a cobertura de
óbitos que também se enquadra como uma
variável que expressa qualidade. No entanto,
a taxa de mortalidade geral, não se mostrou
significativa. Ou seja, não foram variáveis
significativas para expressar as diferenças
entre os grupos. As variáveis de renda e
de educação não foram significativas para