Série Iniciados Vol. 23 | Page 386

Morrer no Semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios Para as mulheres entre 1 e 29 anos as Causas Externas de Morbidade e Mortalidade foram o principal grupo, tendo como principal causa os Acidentes de Transporte. Para a faixa de 29 a 59 anos o principal grupo foi Neoplasias, com destaque para a Neoplasia Maligna da Mama. Na faixa de 60 anos ou mais o principal grupo foi o de Doenças do Aparelho Circulatório sendo a principal causa as Doenças Cerebrovasculares. O mesmo ocorre ao se observar o total geral. Em âmbito mundial como visto pela WHO (2013) as doenças relacionadas aos agravos não-transmissíveis têm se elevado rapidamente. A inatividade física e as dietas chamadas de “não saudáveis” têm elevado a incidência destas doenças. As taxas de mortalidade e morbidade por doenças cardiovasculares (DCV) e a neoplasias vem passando por um aumento nos últimos anos nos países em desenvolvimento. Projeções para 2020 indicam que as DCV permanecerão como principal causa de mortalidade e que as neoplasias vão aumentar (SCHRAMM et al, 2004). Assim, o aumento das doenças crônicas (cardiovasculares e neoplasias) no Semiárido apontaram uma tendência que também é observada no país. A Tabela 4 mostra as microrregiões dos estados pertencentes ao espaço geográfico do Semiárido classificado segundo a análise de cluster. O Grupo 1 é caracterizado por cobrir todos os Estados com exceção de Sergipe sendo também o grupo que mais possui microrregiões nos estados de Alagoas e Piauí. O Grupo 2 está presente em todos os estados e é o grupo mais presente em todos Estados, com exceção nos dois citados anteriormente no Grupo 1. Já o Grupo 3 é caracterizado por estar presente em todos os estados com exceção de Alagoas e não possuir o maior número de microrregiões em nenhum dos estados. A maior concentração de microrregiões ficou no Grupo 2 com 68 (49,6%) microrregiões das 137 e o menor no Grupo 3 com 23 (16,8%) das microrregiões. Alagoas teve 85,7% de suas microrregiões classificadas no Grupo 1 seguido pelo Piauí com 54,6%. O Grupo 2 possuiu mais de 50% 386 Série Iniciados v. 23 em quase todos os Estados, as exceções ficaram com AL, CE, PE e PI. As maiores percentagens de microrregiões no grupo 3 ficaram com 33,3% e 30,8% representando respectivamente Sergipe e Pernambuco. A Tabela 5 mostra as microrregiões do semiárido classificados segundo a cobertura e a causas mal definidas de acordo com os grupos identificados na análise de cluster. A cobertura dos óbitos concentrou as microrregiões nas faixas ≤ 80% e 80 - 90% com 52 microrregiões, representando em conjunto 76% do total das microrregiões. As causas mal definidas estiveram concentradas na faixa de 10-20% com 59 microrregiões representando 43,1% do total. O Grupo 2 foi o que concentrou o maior número de microrregiões com 68 delas. Ao desagregá-las, quase a metade (33) apresentou uma cobertura com valor de 80- 90% e as mal definidas com quase a mesma quantidade (32) ficou entre 10-20%. O Grupo 1 teve sua maior frequência de microrregiões na classificação de cobertura ≤ 80% e com causas mal definidas ≥ 30%. O Grupo 3 conteve a menor quantidade de microrregiões com, apenas 23. A maiores concentrações de microrregiões possuíram mal definidas 10 - 20% com cobertura > 90%. As diferenças entre os grupos gerados pela análise de cluster estão apresentadas na Tabela 6 que dispõem as médias dos grupos, média geral com p-valor < 0,05, valor da razão variância entre/intra-grupos (F) e sua significância. A estatística F mostrou-se significativa para a cobertura de óbitos, Estratégia de Saúde da Família, porcentagem da população em domicilio com energia elétrica e o IDHM. Assim, observa-se que para variáveis tidas como demográficas, houve diferenças significativas para a cobertura de óbitos que também se enquadra como uma variável que expressa qualidade. No entanto, a taxa de mortalidade geral, não se mostrou significativa. Ou seja, não foram variáveis significativas para expressar as diferenças entre os grupos. As variáveis de renda e de educação não foram significativas para