Morrer no Semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios
Tabela 1. Distribuição das microrregiões que compõem o espaço geográfico do semiárido
brasileiro por cobertura (%) segundo óbitos por causas mal definida (%), 2000-2010
Causas mal definidas (%)
<10
10 – 30
>30
Total
Cobertura dos óbitos (%)
> 90 ≤90 Total
2 3 5
28 75 103
3 26 29
33 104 137
Fonte: Elaboração própria.
Verificando-se apenas a parte sul nota-se
que em sua maioria os municípios foram
categorizados como Deficiente, presente
em boa parte da Bahia e no norte de Minas
Gerais. Enquanto que para a parte norte do
semiárido, em sua maioria, os municípios
foram categorizados como Intermediário.
Observando-se do ponto de vista dos Estados,
o único Estado que teve microrregiões (bem
como municípios) classificadas na categoria
Muito Bom foi Pernambuco. E, na categoria
Boa, apenas Piauí, Paraíba e Sergipe, com
apenas uma microrregião nesta categoria.
O Ceará foi o Estado que teve o maior
número de suas microrregiões na categoria
Intermediário, com 73,3%, seguido de
Alagoas com 71,4% e o Rio Grande do Norte
com 70,6%.
A categoria Intermediário esteve presente
em todos os Estados, bem como a categoria
Satisfatório. A Bahia possuía 64% de suas
microrregiões na categoria Deficiente e Minas
Gerais com 55,6%.
Comparando os níveis das coberturas que
foram estimadas por outros autores para
o Estado como um todo (PAES e GOUVEIA,
2010; SZWARCWALD et al, 2010; RIPSA, 2012)
as coberturas obtidas aqui para o semiárido
foram um pouco mais baixas. Elas guardam
coerência, já que o recorte geográfico em
estudo não contém a região litorânea a qual
é mais urbanizada e desenvolvida e com
melhor infraestrutura que proporciona
um sistema com melhor capacitação dos
registros de óbitos. Ou seja, coberturas
mais baixas são esperadas para a região
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Série Iniciados v. 23
semiárida comparando ao estado como um
todo, devido ao seu nível de desenvolvimento
socioeconômico ser mais precário e às suas
características geográficas mais adversas.
Foi observado por diversos autores (AIDAR,
2000; PAES, 2007; MARTINS JUNIOR et al,
2011; LIMA e QUEIROZ, 2014) que ocorreu
uma significativa redução no percentual de
óbitos por causas mal definidas no ultimo
decênio para todo o pais. O semiárido seguiu
essa tendência desde 1980. Esses autores
são unânimes em afirmar que essa melhora
foi devido a diversos avanços na qualidade
de vida da população, como a ampliação na
cobertura dos serviços de saúde, ampliação
no Sistema de Verificação dos Óbitos – SVO
e maior conscientização, fiscalização e
vigilância por parte dos médicos (LIMA e
QUEIROZ, 2014).
A diferença existente na cobertura entre os
sexos, beneficiando os homens em relação
à qualidade da informação, se explica, em
parte, pelas Causas Externas de Morbidade
e Mortalidade, já que estas são usualmente
identificadas mais facilmente e ocorrerem
com mais frequência neste sexo (AIDAR,
2000; PAES, 2007) e cujos percentuais
estiveram em crescimento na região
semiárida na última década, segundo dados
do Ministério da Saúde (BRASIL, 2015).