Efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas de memória prospectiva em uma amostra de idosos sem demência
discrepâncias entre o grau de patologia cerebral e o comprometimento clínico revelado em diversos indivíduos.
A pesquisa foi justificada pelo fato de ser uma forma de ampliar a compreensão atual sobre as variáveis que podem influenciar e modular as queixas de memória, visto que o autorrelato do paciente idoso pode possuir relevância clínica, mesmo que não se mensure as queixas por testes objetivos. Assim, os resultados deste estudo expostos neste capítulo poderão contribuir para uma maior clareza de como se avaliar as QSM e a sua relação com a RC, contribuindo principalmente para o âmbito da Neuropsicologia Geriátrica e os profissionais de saúde. Tendo em vista formas de prevenção e promoção de qualidade de vida do idoso.
O objetivo geral da pesquisa foi investigar se a RC reduz a frequência e tipo de QSM entre os idosos sem demência, e se existia uma diferente relação entre os diferentes fatores da RC( educação, ocupação e atividades de lazer) e as queixas de memória prospectiva que foram avaliadas através do Questionário de Memória prospectiva e retrospectiva( SMITH, 2000).
O questionário citado acima foi aplicado com os 144 idosos que fizeram parte da pesquisa, levando-se em consideração os princípios éticos assegurados em todas as etapas do estudo que ocorreu na Clínica Escola de Psicologia, sediada no CCHLA da UFPB.
Fundamentação Teórica
Pode-se entender o envelhecimento como sendo um processo natural e ocorre em virtude do declínio das funções de diversos órgãos com o avançar da idade, envolvendo aspectos psicológicos, emocionais e biológicos( DUARTE, 1999).
O estudo acerca o envelhecimento vem ganhando reconhecimento na literatura mundial, devido às mudanças de perfis populacionais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde( OMS) a pessoa é classificada como idosa quando tiver 65 anos de idade ou mais em países desenvolvidos e 60 anos ou mais nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Essa diferenciação ocorre tanto em função do contexto histórico como do socioeconômico de cada lugar( BALDONI; PEREIRA, 2011). A velhice e o envelhecimento, tanto no aspecto normal, quanto patológico, englobam várias áreas de atuação e conhecimento.
É possível perceber o aumento do número de idosos no Brasil, visto que a quantidade destes passou de 10,7 milhões para 23,5 milhões, entre os anos de 1991 e 2013, compondo um quadro de 7,4 % da população idosa, de acordo com as estatísticas do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística( IBGE), em 2012, e pelos dados da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República- Coordenação Geral dos Direitos do Idoso. Neste período, a expectativa de vida subiu para 74,8 anos. Os dados indicam também que a população idosa brasileira deve passar de 14,9 milhões( 7,4 % do total), em 2013, para 58,4 milhões( 26,7 % do total), em 2060, com uma previsão da expectativa média de vida do brasileiro de 81 anos.
O envelhecimento saudável e normal provoca o declínio progressivo do corpo, gerando dificuldades para a pessoa manter o equilíbrio homeostático, dessa maneira provoca modificações e desgastes em vários sistemas funcionais. Apesar destas variáveis, o indivíduo pode apresentar uma saúde relativa nessa fase da vida( PAPALÉO NETTO, 2007).
O envelhecimento, principalmente o patológico, provoca mudanças não apenas no físico das pessoas como também na cognição. O envelhecimento patológico, também chamado de senil, é representado por alterações diferenciadas das que ocorrem no processo normal do idoso e é relacionado com as doenças neurodegenerativas, como o comprometimento cognitivo leve( CCL), que está entre o envelhecimento saudável e a demência; ou a demência( PAULO; YASSUDA, 2009; SOUZA; TEIXEIRA, 2013), como exemplo, a doença de Alzheimer, que
Série Iniciados v. 23
295