Série Iniciados Vol. 23 | Page 291

Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas Os trabalhadores afetados por doenças ocupacionais enfrentam muitas dificuldades para retornar ao trabalho, tanto devido às limitações funcionais resultantes dos adoecimentos, quanto aos obstáculos vivenciados junto às empresas, aos serviços de rede e ao INSS (TOLDRÁ et al., 2010). É válido ressaltar que essa questão da readequação a empresa é um fator de peso para o trabalhador, pois como é trazido por Toldrá et al. (2010), muitas vezes, ao retornar a empresa, esse colaborador é colocado para exercer funções que são incompatíveis com as suas condições funcionais e de formação, isso quando não são deixados à margem do processo produtivo, o que pode vir a reforçar os sentimentos de fracasso vivenciadas por muitos sujeitos que passam por este tipo de situação, de afastamento. Conclusões A partir do que foi exposto no decorrer deste estudo, pode-se compreender que apesar da dificuldade que ainda existe em relacionar o adoecimento/saúde com o trabalho, os gestores entrevistados possuem ciência dessa ligação. E não só vinculam o adoecimento físico ao trabalho, como também é trazido, no discurso de alguns deles, as consequências que o trabalho têm para saúde mental, com destaque para o estresse. Embora exista o reconhecimento acerca da relação trabalho-saúde-doença, pode-se inferir, a partir do que é trazido nas falas dos participantes, que o nível de intervenção voltado para este tema continua sendo baixo. Isso pode estar acontecendo devido ao fato de a empresa não ser capaz de identificar esse vínculo, ou simplesmente não se posicionar a respeito, o que limita a atuação desses profissionais, mas ao mesmo tempo nos traz o questionamento sobre o que pode ser feito em termos de intervenção no sentido de mudar essa realidade. De que forma esses profissionais podem avançar para além da compreensão da relação trabalho – saúde – doença para chegar ao nível da intervenção e prevenção em saúde do trabalhador? Um dado que merece destaque é que mesmo que exista o reconhecimento da forte relação entre o trabalho que é exercido e a saúde/doença, ainda se pode encontrar no discurso de alguns deles a questão da culpabilização do colaborador, que é um pensamento muito recorrente em meio às empresas privadas. Na maioria das vezes, entende-se que os casos de adoecimento ou acidente relacionados ao trabalho foram de responsabilidade, única e exclusivamente, do próprio trabalhador, por negligência ou desatenção. Termina-se, portanto, em não trabalhar de forma aprofundada as causas desse adoecimento e a empresa se exime de quaisquer responsabilidade na ocorrência do adoecimento. Foi observado, através do discurso dos participantes, que no que diz respeito a promoção de ações em saúde do trabalhador, incluindo também aí a prevenção, as empresas se limitam a fazer o que é obrigatório, ou seja, o que é previsto e fiscalizado por força de lei, ou realizam ações de forma superficial, não trabalhando de fato a saúde do trabalhador enquanto política de gestão. Desta forma