Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas
Os trabalhadores afetados por
doenças ocupacionais enfrentam muitas
dificuldades para retornar ao trabalho, tanto
devido às limitações funcionais resultantes
dos adoecimentos, quanto aos obstáculos
vivenciados junto às empresas, aos serviços
de rede e ao INSS (TOLDRÁ et al., 2010).
É válido ressaltar que essa questão da
readequação a empresa é um fator de peso
para o trabalhador, pois como é trazido por
Toldrá et al. (2010), muitas vezes, ao retornar
a empresa, esse colaborador é colocado para
exercer funções que são incompatíveis com
as suas condições funcionais e de formação,
isso quando não são deixados à margem do
processo produtivo, o que pode vir a reforçar
os sentimentos de fracasso vivenciadas por
muitos sujeitos que passam por este tipo de
situação, de afastamento.
Conclusões
A partir do que foi exposto no
decorrer deste estudo, pode-se compreender
que apesar da dificuldade que ainda existe
em relacionar o adoecimento/saúde com o
trabalho, os gestores entrevistados possuem
ciência dessa ligação. E não só vinculam
o adoecimento físico ao trabalho, como
também é trazido, no discurso de alguns
deles, as consequências que o trabalho têm
para saúde mental, com destaque para o
estresse.
Embora exista o reconhecimento
acerca da relação trabalho-saúde-doença,
pode-se inferir, a partir do que é trazido
nas falas dos participantes, que o nível de
intervenção voltado para este tema continua
sendo baixo. Isso pode estar acontecendo
devido ao fato de a empresa não ser capaz
de identificar esse vínculo, ou simplesmente
não se posicionar a respeito, o que limita a
atuação desses profissionais, mas ao mesmo
tempo nos traz o questionamento sobre o que
pode ser feito em termos de intervenção no
sentido de mudar essa realidade. De que forma
esses profissionais podem avançar para além
da compreensão da relação trabalho – saúde
– doença para chegar ao nível da intervenção
e prevenção em saúde do trabalhador?
Um dado que merece destaque é que
mesmo que exista o reconhecimento da
forte relação entre o trabalho que é exercido
e a saúde/doença, ainda se pode encontrar
no discurso de alguns deles a questão da
culpabilização do colaborador, que é um
pensamento muito recorrente em meio às
empresas privadas. Na maioria das vezes,
entende-se que os casos de adoecimento ou
acidente relacionados ao trabalho foram de
responsabilidade, única e exclusivamente,
do próprio trabalhador, por negligência ou
desatenção. Termina-se, portanto, em não
trabalhar de forma aprofundada as causas
desse adoecimento e a empresa se exime de
quaisquer responsabilidade na ocorrência do
adoecimento.
Foi observado, através do discurso
dos participantes, que no que diz respeito a
promoção de ações em saúde do trabalhador,
incluindo também aí a prevenção, as empresas
se limitam a fazer o que é obrigatório, ou seja,
o que é previsto e fiscalizado por força de lei,
ou realizam ações de forma superficial, não
trabalhando de fato a saúde do trabalhador
enquanto política de gestão.
Desta forma