Durante anos, o Hospital Santa Tereza, em São Pedro de Alcântara, foi sinônimo de preconceito e exclusão social. A aversão aos doentes com hanseníase – na época chamada de “lepra” – fez com que estas pessoas fossem isoladas e tratadas como aberrações.
Fundada em 1940, a construção não é apenas um hospital, mas sim um vilarejo, construído para servir de moradia aos antigamente denominados “leprosos”. No local, a rua principal chamava-se “Getúlio Vargas”, e havia várias pequenas casas, uma igreja, um teatro, um restaurante, um cemitério e uma prisão. Todas estas estruturas - inclusive a criação de uma moeda própria que só valia dentro da vila – garantiam que os hansenianos não tivessem contato algum com os considerados saudáveis.
As visitas aos doentes eram raríssimas e ocorriam em uma casinha denominada “parlatório”. Neste local, o doente e seu familiar ficavam separados por um vidro espesso, que impedia o contato físico. Até mesmo as cartas enviadas pelo correio eram antes desinfetadas.
O Hospital Santa Tereza internou até 600 pacientes na década de 60, não havendo distinção de idade. Até mesmo crianças e adolescentes eram obrigadas a deixar suas famílias para viverem isoladas.
Atualmente, o local chama-se Hospital Santa Tereza de Dermatologia Sanitária. A prioridade das dezenas de profissionais que lá trabalham, é dar continuidade ao atendimento dermatológico e psiquiátrico, visando erradicar o preconceito social ainda existente.
Alguns antigos pacientes do hospital continuam morando em casas próximas ao vilarejo, pois devido à exclusão e ao sofrimento do passado, não conseguem se sentir parte da sociedade.
Hospital de Hanseníase
Hospital Santa Tereza.
TEXTO: Isabella Brandalise
FOTO: sc.gov.br
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