Samba Acadêmico Junho 2016 | Page 9

Tradições Baianas

Tal ironia de Sinhô é hoje absolutamente impensável devido ao grande prestígio de que gozam os pais-de-santo baianos, o que, a se julgar pela canção, naquela época não era uma "tradição": Versos de Sempre Voando: Já descobri meu bem/ Coisa que causa espanto/ Na Bahia tem, tem/ Gente que é pai-de-santo “Que o samba é o ritmo emblemático do Brasil ninguém duvida, assim como que foi ouvindo as músicas de Sinhô que o Brasil aprendeu a gostar de samba”. Fonte Teatro de Revista em 4 agosto 2010.

foto Heitor dos Prazeres

"Sinhô, freqüentador assíduo da casa do pai-de-santo Assumano, no Rio de Janeiro, devolve a provocação no samba “Sempre Voando” (1921), dessa vez no campo religioso, duvidando da competência dos pais-de-santo baianos. Opõe-se aqui a "pureza" da negritude carioca à "pureza" do legado negro baiano, o que representa, acima de tudo, uma disputa política por prestígio no interior da qual inventam-se e desinventam-se tradições.

Nas Rodas da Malandragem

COMO PASSARINHO

passarinho

Heitor dos Prazeres

Heitor ainda iria ter outros problemas com o “Rei do Samba”. Reivindicou ainda a autoria de “Gosto que me enrosco”. Com a reclamação de Heitor Sinhô fez o samba-conselho “Segura o boi”. Heitor replica com “Olha ele, cuidado!” e a briga ficaria por ai se Cassino Maxixe não fosse gravada por Mário Reis no ano seguinte (1928), com o título definitivo de “Gosto que me enrosco”. Heitor dos Prazeres volta ao ataque com “Rei dos meus sambas”, alusivo ao título de Rei do Samba de Sinhô, que tenta inutilmente impedir a gravação do protesto. Mais tarde Heitor recebeu trinta e oito mil-réis por sua parte na parceria de Cassino Maxixe, acordo que lhe valeu também o reconhecimento da autoria.