Samba Acadêmico Junho 2016 | Page 8

"A Bahia não dá mais coco / pra botar na tapioca... Papagaio louro / do bico dourado / tu falavas tanto / qual a razão que vives calado...", acabou por irritar os baianos ligados ao samba, que se julgaram atingidos. Hilário Jovino Ferreira em resposta fez “Entregue o Samba aos verdadeiros donos”, partindo para o ataque direto, acusando-o de plagiário. Versos de “Entregue o Samba aos verdadeiros donos”: “Entregue o samba a seus donos / É chegada a ocasião / Lá no norte não fazemos / Do pandeiro profissão. / Falsos filhos da Bahia / que nunca pisaram lá /que não comeram pimenta /na moqueca e vatapá...” Diz-se por ai, aos quatro cantos, que certo ministro foi solicitado por Sinhô para interceder sobre a possível demolição de barracos no Morro da Favela na cidade do Rio de Janeiro, e em resposta lhe teria dito para fazer o pedido através de um samba. O samba veio “A Favela vai abaixo”. O que se sabe é que os barracos lá continuaram em pé. Sinhô compõe “Quem São Eles”. Considerando-se atingidos pelo samba, os irmãos Pixinguinha e China (Otávio da Rocha Viana) revidaram com o "Já Te Digo". Ainda esta Canção Quem são eles (A Bahia é boa terra)– Sinhô – teria sido considerada uma provocação também aos parceiros de “Pelo telefone” Em resposta temos uma verdadeira enxurrada, com “Fica calmo que aparece” de Donga; “Não és tão falado assim” de Hilário Jovino. Versos de “Já te digo”:“... Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo/ Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo/ Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio/ Não tem medo de perigo...”O curioso é que, a rigor, a polêmica foi gratuita, pois não havia no samba de Sinhô qualquer alusão ofensiva aos adversários. Pela repercussão alcançada no carnaval de 1919, "Já Te Digo" projetou Pixinguinha como compositor. Mesmo assim a briga continua quando Sinhô compôs a resposta a “Já te digo”, que foi o Samba “O pé de anjo”. Em 1927, Francisco Alves gravou “Ora vejam só” assinada por Sinhô, enquanto Heitor dos Prazeres, garantindo ser o autor, parte em busca do outro. Encurralado, Sinhô pronuncia a frase que ficou histórica: “Esse samba eu peguei no ar, Heitor. E samba é como passarinho. É de quem pegar”.

Aliquam ipsum

Heitor ainda iria ter outros problemas com

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