Desabafo de Alma
Antes ouvia dizer que o primeiro ano do luto é o mais dolorido, mas a me ver não foi bem assim. No início foi mais fácil pois me fiz de forte a todo momento, se perder uma filha se vai metade da gente, imagine só perder duas? Então eu não sou mais inteira? Pois outra metade de mim se foi duas vezes? O termo ser forte em tempo de luto é morrer momentaneamente, pois o calar é mais dolorido do que chorar em silêncio, o calar e mais dolorido ainda do que uma mãe que grita ao velar seu bebe, o calar é somente querer se esconder do mundo e de si mesma, querendo que aquela dor cesse mas ela nunca irá cessar. A minha experiencia com luto foi a qual eu não vivi por medo da faltar de empatia das pessoas ao meu redor: foram tantos preconceitos, tanta falta de amor que me calei e hoje além da saudade que me maltrata, a cada data vivenciada, a cada lembrança, tenho que lutar diariamente sobre a síndrome do pânico que acabei desenvolvendo por me calar... Cada delírio, uma adrenalina, e uma corrida contra o tempo chamado vida.
Um conselho aos enlutados, Pais órfãos de Filhos, se ta doendo, deixe doer muito, pois um dia essa dor vai cessar para não doer nunca mais e se tornar uma eterna e maravilhosa lembrança, de anjos particulares que passaram em nossas vidas com missões especiais
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