Loucura viver assim, viver sem viver, viver com medo.
Com um histórico familiar de muitas perdas, irmão aos 33 anos, mãe, irmã, irmão, pai, irmão aos 60 anos, duas perdas gestacionais, e por fim a perda da Dandy, passei a viver com medo. Não é o medo da morte em si, é o medo de deixá-lo só.
Ricardo é uma criança linda, amo sair com ele, ontem mesmo, fomos assistir ao Musical dos Mamonas Assassinas, e ele perguntava tudo (afinal não sabia nada deles, que morreram dez anos antes dele nascer), quando contei da morte na Cantareira, eu chorei e ele também chorou, nós dois somos dois chorões.
Eu conto tudo a ele, até bobagens não próprias à idade dele, ele só me fala:- Ai mãe! E rimos.
Quero e preciso de mais tempo ao seu lado.
Sou aquela mãe orgulhosa dele, que fica toda boba com os elogios que recebe, como os que ouvi certo dia, no curso de inglês:- Que ele é demais, que é inteligente demais, que aprende tudo muito rápido, que conversa, em inglês, com pessoas de nível acima do dele. E ainda escuto, ele é muito fofo! A professora foi até o carro me conhecer.
Tudo que meu filho é, e está se tornando, foi construído comigo, vivemos eu e ele apenas, eu o ensinei a ler, eu o ensinei a fazer contas, a amarrar sapatos, eu vivo o dia a dia dele e com ele.
www.facebook.com/revistaRPL/
40