a minha missão não acabou.
Passei meses vez ou outra chorando e sofrendo o luto. E chegou o tão esperado Dia das Mães. Nossa coração ficou apertado. Comemorei com a minha mãe e chorei. No mesmo dia queimei o álbum de fotos que era para ser dele.
Uma fúria e dor ao mesmo tempo. As datas comemorativas servem para a celebração do bem e do melhor. Passei um ano não conseguindo celebrar plenamente todas as datas.
Após um ano de luto iniciei a terapia e consegui reorganizar meus sentimentos. Escolhi assim celebrar a minha permanência neste mundo, aprendi também a agradecer mesmo na dor a oportunidade de ter me tornado mãe.
Serei a mãe do Mateus sempre e continuarei a vida de cabeça erguida com ele no pensamento e com boas lembranças para recordar. Mas lembro que o luto de uma mãe que perdeu o filho deve ser respeitado, falado e nunca calado e ignorado. Não mate a mãe em vida, por favor! Mas Ouça-a e veja o quanto ela pode celebrar mesmo na dor o sabor e a oportunidade de estar viva e ter vivido, mesmo que por pouco tempo, com o filho que partiu.
Marília Jardim, 29 anos
Jornalista
Brasília (Brasil)
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