Democracia e política de massas na Declaração de Março de 1958
Rodrigo Wrencher Cosenza
A história do Partido Comunista Brasileiro pode ser entendida como uma saga de pessoas que se dispuseram a interferir, de maneira crucial, nos rumos do Brasil. Uma característica marcante são as idas e vindas das propostas do partido, ora apostando na luta política, mesmo quando na clandestinidade 1; ora enveredando por ações de caráter mais extremo, conforme se deu nos anos de 1931, 1935, 1948, 1950 e 1964. 2
O Partido Comunista Brasileiro, desde sua fundação em 1922, traça uma trajetória de inserção na grande política brasileira, a despeito de a grande maioria de seu tempo de existência este ter atuado na clandestinidade. Seu papel na Aliança Nacional Libertadora e o levante de 1935, chamado jocosamente de Intentona Comunista, mostram duas faces da forma de agir do PCB, num momento atuando no movimento de massas, em outro a escolha pela via armada na década de 1930.
O PCB passará para a legalidade ao fim do Estado Novo, em 1945, concorrerá a eleições e elegerá Luíz Carlos Prestes para senador e 17 deputados constituintes, entre eles Jorge Amado e Carlos Marighella. Em 1946, nas eleições municipais daquele ano, obteve uma grande bancada na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, além de ter eleito outros vereadores em diversas cidades. Em 1947, o PCB é posto, mais uma vez, na ilegalidade, por Eurico Gaspar Dutra, então presidente do Brasil. Os comunistas sofrerão forte perseguição, nesse período.
Entre os anos de 1954 e 1956, certos acontecimentos apontaram para a necessidade de rever a linha política sectária então adotada pelos comunistas brasileiros. Tanto o suicídio de Vargas quanto o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética começaram a apontar para a necessidade de uma nova orientação à cultura
1 Ver Gildo Marçal Brandão.
2 1931: obreirismo; 1935( novembro): Insurreição Comunista nos quarteis; 1948: Apelo à luta armada após a cassação do PCB; 1950: Manifesto de Agosto, reafirmando as posições de dois anos antes; 1956: Debandada e radicalização em função da desestalinização.
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