Riscos que nos ameaçam PD50 | Page 134

Ludwig Lauerhass, em sua tese, traça o perfil de Vargas como pragmático, o que, de fato, se coaduna com a forma como Vargas exerceu o poder e modificou a estrutura da sociedade brasileira.
Conquanto a própria versão pragmática nacionalista de Getúlio Vargas só se concretizasse inteiramente como um todo coerente depois de seu triunfo formalmente marcado pela instituição do Estado Novo, suas principais tendências ideológicas e políticas já eram discerníveis desde 1930. […] Assim, em 1937, a maior parte dos elementos do nacionalismo de Getúlio – desenvolvimento econômico, justiça social, eficiência política, unidade nacional, patriotismo e orgulho da identidade nacional – tinhamse manifestado, de uma maneira ou de outra, em seu regime. Restava ao Estado Novo dar-lhes equilíbrio dentro dos limites de uma ideologia mais abrangente, ampliar as suas bases institucionais e promover sua propaganda e aceitação pelo povo.( LAUERHASS, 1986, p. 101).
O pragmatismo varguista é um dos elementos que contribuem para a formação de um ideário nacional no corpo social do Brasil. O primeiro governo de Getúlio Vargas( 1930-1945) foi fundamental para o estabelecimento de um imaginário social brasileiro que abarcasse todo o território nacional, dentro da noção de Benedict Anderson de que a nação é sempre limitada; por isso era necessário trazer a ideia de brasilidade a todos os cantos do país. Vargas teve de lidar com os nacionalismos intrusos, terminologia utilizada por Lauerhass para classificar o comunismo e o fascismo( na sua face integralista). Dessa forma, utilizou o aparelho estatal para excluí-los e, em seguida, consolidou o seu projeto nacional, por meio do mesmo aparelho estatal.
Ernest Gellner propõe uma Teoria do Nacionalismo, que considera que a transição da sociedade agroletrada para a sociedade industrial avançada é o momento inicial de desenvolvimento de um ideário nacionalista. Gellner expõe que, na sociedade industrial avançada,“ a sociedade tem que ser homogeneizada, gleichgeschaletet, e o único órgão capaz de executar, supervisionar ou proteger esta operação é o Estado central”( GELLNER, 1996, p. 119). Este discurso categórico é, no mínimo, controverso; entretanto a análise do desenvolvimento do nacionalismo brasileiro encaixa-se à explicação teórica proposta por Gellner, na medida em que o Estado Novo estabeleceu um padrão de“ ser brasileiro”, que se estendeu por todo o território do Brasil. Sob a perspectiva de Gellner, é possível dizer que Vargas, por meio da centralização
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