Riscos que nos ameaçam PD50 | 页面 111

O segundo refere-se ao compromisso de investimento prioritário na formação das novas gerações. Os gastos do Estado carecerão de autenticidade caso não sejam concentrados nas providências insubstituíveis para assegurar, a todas as crianças do país, a viabilização dos grandiosos potenciais criativos e inovadores que lhes são inerentes. O desrespeito para com o trabalho educativo e insubstituível da mãe é um dos mais graves indícios da decadência em vigor no país. As tarefas materna e familiar hão de ser estimuladas, valorizadas e remuneradas à altura da dimensão que possuem. Caso contrário, as taxas de fecundidade estarão alcançando níveis incapazes de assegurar a renovação populacional, ameaçando seriamente a sustentabilidade econômica ao longo do tempo. Conforme estudos demográficos e populacionais, quando a taxa de fecundidade cai abaixo de 2,1 filhos por mulher em fase reprodutiva, delineia-se o desajuste econômico de difícil superação. No Brasil, país cuja taxa de fecundidade já caiu para 1,7, prospera o desprezo para com a evidência científica segundo a qual o declínio de tal indicador tem repercussões demográficas negativas a médio prazo. Torna-se, por isso mesmo, muito difícil conceber um futuro devidamente construído sem a necessária consistência demográfica.
O terceiro corresponde à evidência de que saúde e educação são componentes indissociáveis para o sólido alicerce da cidadania, entendendo a saúde como promoção do bem-estar físico, mental e social do indivíduo, não apenas como diagnóstico e tratamento das doenças. A prova da veracidade de tal afirmação é sólida e contundente. Com efeito, o estudo da redução da mortalidade como impacto produzido pelos investimentos em saúde nos Estados Unidos é esclarecedor. Realizado por Dever em 1976, é um argumento incontestável em defesa da prioridade das ações preventivas. No modelo de assistência à saúde daquele país, 90 % do respectivo orçamento destinavam-se aos serviços de diagnóstico e terapêutica. Produziam 11 % de diminuição da mortalidade. Em contrapartida, apenas 1,5 % dos recursos orçamentários era investido nas mudanças de hábitos e estilos de vida, gerando diminuição de 43 % da mortalidade. No Brasil, seguimos no mesmo equívoco. Afora a política de imunização vacinal, que permitiu erradicar a poliomielite no país, não se aplica quase nada nas diversas medidas preventivas que poderiam mudar radicalmente o bem-estar físico, mental e social do nosso povo. Praticamente a quase totalidade do orçamento do SUS é investida
O Brasil em estado de coma
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