ARTIGO
ORGANIZAÇÃO ÁGIL
UMA RESPOSTA PARA OS DESAFIOS CRESCENTES EM UM AMBIENTE IMPREVISÍVEL
Paulo Botelho *
O
século XXI vem nos apresentando
uma dinâmica muito forte: predo-
minância de informação acelerada
e sintética, eventos simultâneos
com elevado grau de imprevisibilidade,
geração Y e Z convivendo com geração
X e baby boomers, longevidade, ressurgi-
mento de políticos radicais, instabilidade
em blocos comerciais e bilhões de pessoas
conectadas em mídias sociais, entre outras.
Esta realidade está exigindo, cada vez
mais, pessoas capacitadas, dinâmicas,
autônomas e ágeis com poder de decisão
dentro de seu espaço de atuação.
É claro que precisamos inicialmente
entender o que vem a ser o termo “ágil”
neste contexto. Uma organização ágil deve
ser, além de rápida, aquela que promove
um maior grau de autonomia dos membros
do time e, com propósito claro e dominado
por todos, um verdadeiro sistema orgâni-
co.
Vai muito além de uma organização que
possui visão e missão escritas em quadros
pelos escritórios, mas sim onde as pesso-
as vivam, efetivamente, o que está escrito
nestes documentos.
MAS, AFINAL, COMO SERIA
A ORGANIZAÇÃO?
Em ambas as redes a posição dos pon-
tos são as mesmas, mas as conexões total-
mente distintas.
30 Revista SESVESP
Esta conexão da rede “Distri-
buída” explica a razão pela qual
as redes sociais são tão dinâmi-
cas. Você manda um Whatsapp
para membros de uma de suas re-
des e, em pouco tempo, é comum
você receber a mesma mensagem
de outra pessoa, partindo de ou-
tra rede (nem estou mencionan-
do pessoas da mesma rede e que
encaminham a mesma mensagem
que acaba de ser encaminhada).
A interconectividade entre
pessoas e redes, de forma “Distri-
buída”, é o que permite tal velo-
cidade. Se estivéssemos em uma
rede “Descentralizada”, a velo-
cidade seria incomparavelmente
mais lenta.
O MUNDO JÁ ESTÁ “DISTRIBUÍDO“, MAS
E A SUA ORGANIZAÇÃO? ENTÃO, SE A
MINHA ORGANIZAÇÃO ESTIVER AINDA
“DESCENTRALIZADA”, COMO FAZER A
CONSTRUÇÃO E GESTÃO DE UM TIME
ÁGIL PARA ESTE MUNDO “DISTRIBUÍ-
DO”?
É fundamental que a liderança entenda
esta nova circunstância e esteja disposta a
fazer avanços importantes na dinâmica do
time.
A gestão precisa colocar em seu plano
de ação alguns pontos tais como:
1- Facilitar o trabalho em time, retirar
barreiras que, por si só, não possuem con-
dições de concretizar;
2- Ajudar o time a crescer como um
todo, fortalecer o “espírito de equipe”,
identificar fraquezas eventuais que algum
membro tenha e ajudá-lo a superá-la;
3- Encorajar a liderança a agir como
coach (promover o diálogo, fazer mais
perguntas do que dar respostas prontas,
antever problemas potenciais e ajudar o
próprio time a encontrar a adequada solu-
ção para um problema);
4- Promover a prática de lições aprendi-
das e estimular o aprendizado permanente;
5- Realizar reuniões curtas e diárias
(preferencialmente em pé) com o time;
6- Estimular a assertividade no diálogo;
ouvir com atenção;
7- Fortalecer a abertura e confiança
para a abordagem de eventuais erros in-
voluntários de forma positiva. Afinal, erra
quem faz;
8- Provocar o pensamento inovador
(ok, foi tudo correto, excelente trabalho!
Haveria uma outra forma de fazê-lo?
Como poderia ser?);
9- Celebrar as pequenas vitórias tam-
bém; Exercitar mais o elogio legítimo e
sadio;
10- Deixar claro que as mudanças fa-
zem parte do dia a dia e que somente com
atitudes éticas, assertivas e transparentes
se constrói um time forte e, consequente-
mente, um negócio robusto com os resul-
tados planejados.
Compartilhar conhecimento e, fun-
damentalmente, encorajar o diálogo e o
aprendizado do time é necessário. A con-
fiança mútua promove um ambiente sau-
dável, que é o pano de fundo para que o
time desenvolva seus trabalhos com ale-
gria e satisfação de forma sustentável.
Entender o trabalho como um meio de
realização pessoal é importantíssimo para
o desenvolvimento contínuo do time e,
consequentemente, a elevação da perfor-
mance do seu negócio.
A figura do gerente tradicional, aquele
que determina tarefas e controla a execu-
ção, vem perdendo espaço para um novo
gerente, o gerente coach. Este profissio-
nal atento – e treinado com novas capa-
citações - encoraja os integrantes do time
a dialogarem mais e manifestarem suas
opiniões na busca da melhor solução por
meio de uma atmosfera desafiadora e sau-
dável.
Este movimento permite o surgimento
de novas soluções, por vezes inovadoras
e impensáveis, dentro de uma abordagem
tradicional, para um mundo - como dis-
semos inicialmente - tão imponderável e
acelerado.
Portanto a questão central não é “se”
vamos construir uma organização ágil,
mas sim “quando” vamos fazê-la, antes
que seja tarde demais. ■
* Paulo Botelho (Diretor de Multina-
cional, professor universitário e espe-
cialista em Melhorias Continua e Times
Ágeis para resultados).