Revista Sesvesp Ed. 133 | Page 30

ARTIGO ORGANIZAÇÃO ÁGIL UMA RESPOSTA PARA OS DESAFIOS CRESCENTES EM UM AMBIENTE IMPREVISÍVEL Paulo Botelho * O século XXI vem nos apresentando uma dinâmica muito forte: predo- minância de informação acelerada e sintética, eventos simultâneos com elevado grau de imprevisibilidade, geração Y e Z convivendo com geração X e baby boomers, longevidade, ressurgi- mento de políticos radicais, instabilidade em blocos comerciais e bilhões de pessoas conectadas em mídias sociais, entre outras. Esta realidade está exigindo, cada vez mais, pessoas capacitadas, dinâmicas, autônomas e ágeis com poder de decisão dentro de seu espaço de atuação. É claro que precisamos inicialmente entender o que vem a ser o termo “ágil” neste contexto. Uma organização ágil deve ser, além de rápida, aquela que promove um maior grau de autonomia dos membros do time e, com propósito claro e dominado por todos, um verdadeiro sistema orgâni- co. Vai muito além de uma organização que possui visão e missão escritas em quadros pelos escritórios, mas sim onde as pesso- as vivam, efetivamente, o que está escrito nestes documentos. MAS, AFINAL, COMO SERIA A ORGANIZAÇÃO? Em ambas as redes a posição dos pon- tos são as mesmas, mas as conexões total- mente distintas. 30 Revista SESVESP Esta conexão da rede “Distri- buída” explica a razão pela qual as redes sociais são tão dinâmi- cas. Você manda um Whatsapp para membros de uma de suas re- des e, em pouco tempo, é comum você receber a mesma mensagem de outra pessoa, partindo de ou- tra rede (nem estou mencionan- do pessoas da mesma rede e que encaminham a mesma mensagem que acaba de ser encaminhada). A interconectividade entre pessoas e redes, de forma “Distri- buída”, é o que permite tal velo- cidade. Se estivéssemos em uma rede “Descentralizada”, a velo- cidade seria incomparavelmente mais lenta. O MUNDO JÁ ESTÁ “DISTRIBUÍDO“, MAS E A SUA ORGANIZAÇÃO? ENTÃO, SE A MINHA ORGANIZAÇÃO ESTIVER AINDA “DESCENTRALIZADA”, COMO FAZER A CONSTRUÇÃO E GESTÃO DE UM TIME ÁGIL PARA ESTE MUNDO “DISTRIBUÍ- DO”? É fundamental que a liderança entenda esta nova circunstância e esteja disposta a fazer avanços importantes na dinâmica do time. A gestão precisa colocar em seu plano de ação alguns pontos tais como: 1- Facilitar o trabalho em time, retirar barreiras que, por si só, não possuem con- dições de concretizar; 2- Ajudar o time a crescer como um todo, fortalecer o “espírito de equipe”, identificar fraquezas eventuais que algum membro tenha e ajudá-lo a superá-la; 3- Encorajar a liderança a agir como coach (promover o diálogo, fazer mais perguntas do que dar respostas prontas, antever problemas potenciais e ajudar o próprio time a encontrar a adequada solu- ção para um problema); 4- Promover a prática de lições aprendi- das e estimular o aprendizado permanente; 5- Realizar reuniões curtas e diárias (preferencialmente em pé) com o time; 6- Estimular a assertividade no diálogo; ouvir com atenção; 7- Fortalecer a abertura e confiança para a abordagem de eventuais erros in- voluntários de forma positiva. Afinal, erra quem faz; 8- Provocar o pensamento inovador (ok, foi tudo correto, excelente trabalho! Haveria uma outra forma de fazê-lo? Como poderia ser?); 9- Celebrar as pequenas vitórias tam- bém; Exercitar mais o elogio legítimo e sadio; 10- Deixar claro que as mudanças fa- zem parte do dia a dia e que somente com atitudes éticas, assertivas e transparentes se constrói um time forte e, consequente- mente, um negócio robusto com os resul- tados planejados. Compartilhar conhecimento e, fun- damentalmente, encorajar o diálogo e o aprendizado do time é necessário. A con- fiança mútua promove um ambiente sau- dável, que é o pano de fundo para que o time desenvolva seus trabalhos com ale- gria e satisfação de forma sustentável. Entender o trabalho como um meio de realização pessoal é importantíssimo para o desenvolvimento contínuo do time e, consequentemente, a elevação da perfor- mance do seu negócio. A figura do gerente tradicional, aquele que determina tarefas e controla a execu- ção, vem perdendo espaço para um novo gerente, o gerente coach. Este profissio- nal atento – e treinado com novas capa- citações - encoraja os integrantes do time a dialogarem mais e manifestarem suas opiniões na busca da melhor solução por meio de uma atmosfera desafiadora e sau- dável. Este movimento permite o surgimento de novas soluções, por vezes inovadoras e impensáveis, dentro de uma abordagem tradicional, para um mundo - como dis- semos inicialmente - tão imponderável e acelerado. Portanto a questão central não é “se” vamos construir uma organização ágil, mas sim “quando” vamos fazê-la, antes que seja tarde demais. ■ * Paulo Botelho (Diretor de Multina- cional, professor universitário e espe- cialista em Melhorias Continua e Times Ágeis para resultados).