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Eflúvio
Stefany Silva Bonfim dos Santos
Era uma noite como outra qualquer. Estava eu em meu quarto com todas as luzes
apagadas, talvez um pouco sonolenta, mas ainda assim pensando na vida.
O Max, meu cachorro, entrou em meu quarto e cheirou o meu rosto. Pude sentir o seu
focinho gelado sobre minha face e retribui com um breve sorriso. Acho que após isso eu
peguei no sono e acordei com o barulho insuportável de alguma torneira pingando em
minha casa. Suspirei fundo, pois sabia que teria de levantar-me. Imaginei o Max ainda
dormindo no meu quarto. Não era costume que ele dormisse lá, mas o silêncio me fez crer
que ele estava tão quietinho e o deixei descansar.
O meu quarto ficava no meio do corredor, o banheiro ficava logo no final à esquerda e à
minha direita ficava a saída da casa. Eu não queria e nem vi a necessidade de acender as
luzes. Fui lentamente caminhando até chegar ao banheiro, acendi a luz e, o que parecia
uma brecha de torneira pingando, era a mais pura cena de horror.
Meu cachorro estava pendurado no alto do chuveiro com pescoço retorcido e com uma
fratura em sua cabeça de onde escorria o sangue que pingava sobre o chão do box. Àquela
altura já não se via mais o piso, apenas o vermelho do sangue.
Percebi a presença de palavras escritas de preto na parede do meu banheiro: “o seu cheiro
é ainda melhor que do sangue do seu cachorro”.
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