REVISTA RABISCOS DE CONTOS Revista Rabiscos de Contos IFBA | Page 49

rabiscos de contos Eflúvio Stefany Silva Bonfim dos Santos Era uma noite como outra qualquer. Estava eu em meu quarto com todas as luzes apagadas, talvez um pouco sonolenta, mas ainda assim pensando na vida. O Max, meu cachorro, entrou em meu quarto e cheirou o meu rosto. Pude sentir o seu focinho gelado sobre minha face e retribui com um breve sorriso. Acho que após isso eu peguei no sono e acordei com o barulho insuportável de alguma torneira pingando em minha casa. Suspirei fundo, pois sabia que teria de levantar-me. Imaginei o Max ainda dormindo no meu quarto. Não era costume que ele dormisse lá, mas o silêncio me fez crer que ele estava tão quietinho e o deixei descansar. O meu quarto ficava no meio do corredor, o banheiro ficava logo no final à esquerda e à minha direita ficava a saída da casa. Eu não queria e nem vi a necessidade de acender as luzes. Fui lentamente caminhando até chegar ao banheiro, acendi a luz e, o que parecia uma brecha de torneira pingando, era a mais pura cena de horror. Meu cachorro estava pendurado no alto do chuveiro com pescoço retorcido e com uma fratura em sua cabeça de onde escorria o sangue que pingava sobre o chão do box. Àquela altura já não se via mais o piso, apenas o vermelho do sangue. Percebi a presença de palavras escritas de preto na parede do meu banheiro: “o seu cheiro é ainda melhor que do sangue do seu cachorro”. 48