REVISTA RABISCOS DE CONTOS Revista Rabiscos de Contos IFBA | Página 48

rabiscos de contos Precipício mental Sara Santana Cardoso Era uma noite chuvosa quando eu, aquela menina de luz, aparentemente, estava à beira de um precipício. Ninguém entendia o que estava acontecendo comigo. Eu pensava em tantas coisas ao mesmo tempo, que me paralisaria a um passo da morte. Era possível fazer uma novela com meus pensamentos tenebrosos e suicidas. Meia noite o relógio de São Bento bateu e eu ainda ali. Dizem que nesse horário só ficam na rua as prostitutas, os depressivos e os loucos de amor. E quantos loucos bêbados eu avistava por ali. Naquele momento eu só queria comer uma rosquinha, então decidi ir ao café ali da esquina, mas... Poxa! Que burra! São meia noite, o café não estaria aberto, então fui para casa esperar o dia seguinte. Com certeza seria melhor que hoje, já que vou comer minhas rosquinhas, eu pensava. Ao amanhecer, já estava lá no café esperando elas ficarem prontas, mas todos estavam me olhando com aqueles olhos julgadores. Eu estava suando e tremendo a perna sem parar. Não sabia o que estava acontecendo nem o que fazer e, de novo, milhares de pensamentos. Será que estou incomodando tanto as pessoas ao me redor? Por isso meus amigos não ligam mais para mim? Era difícil, uma menina cheia de problemas e inseguranças ter quem a amasse. Eu estava desesperada. Todos apenas me olhavam e não me ajudavam. Comecei a escutar uma voz lá no fundo, bem baixinha e salvadora. Foi quando percebi que minhas rosquinhas tinham ficado prontas. Finalmente acordei daquele pesadelo que existia apenas na minha mente. 47