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Magali
Michaela Santana Markovich
Iniciou-se 2018. Um ano e tanto para Magali. Ela ama anos pares e o sentimento dela
sobre esse ano era bom. Seus pais eram separados. O pai casou novamente e constituiu
uma nova família. Agora tinha um filho. Magali estava empolgada para conhece-lo e
passar nove meses na Irlanda, com sua “nova” família. Contava os dias, horas, segundos.
Tudo para ver seu irmão, seus familiares.
Chegou o dia da viagem e ela se despediu, chorando, de sua mãe. Subiu no avião com seu
pai e foi feliz e em pedaços, ao mesmo tempo, mesmo sem perceber. _Magali, está feliz
em estar aqui? _Sim, Pai. Estou ansiosa. Não vejo a hora de encontrar meu irmão.
Quatorze horas de voo para que ela pudesse abraçar seu pequeno irmão de apenas quatro
meses. Mas, passaram-se os dias e um vazio enorme brotou em Magali. Nada a fazia bem.
Trancava-se no quarto e só conseguia comer e dormir. Todos os dias sentia-se vazia.
Chorava escondida para ninguém ouvir nem perguntar. Dizia para si mesma:
_Eu não consigo entender o que me faz ficar assim. Eu busco paz, mas dentro de mim
está tudo virado ao avesso. Como posso arrumar isso? O que vou fazer? Não vejo saída...
Ela engordou cerca de cinco quilos. Nada preenchia seu vazio. Sua alma gritava por
socorro, mas ninguém escutava. Começou, então, um curso de pintura. Pintava todos os
dias e era o que a alegrava. Depois de nove meses, Magali voltou para a Argentina. Porém,
mesmo feliz em rever todos, o vazio persistia.
Numa manhã acordou determinada a pôr um fim no sofrimento: _Hoje acabo essa
angústia. Cansei de chorar. Hoje isso encerra.
Magali sentou em frente ao espelho. Com os olhos lacrimejando trancou a porta, pegou
uma lâmina afiada e decidiu mentalmente se matar. Parecia ter certeza que queria isso.
Mas, quando estava preste a concretizar o ato ouviu uma voz de dentro si:
_Sua mãe vai perder o sentido da vida. Não seja egoísta.
Naquele momento o vazio não se foi totalmente, mas ao menos ela correu e abraçou sua
mãe. Jogou a lâmina fora e buscou ajuda. Hoje, Magali ainda labuta com o vazio, mas
agora ela recebe ajuda. Tudo porque criou coragem e pediu.
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