REVISTA RABISCOS DE CONTOS Revista Rabiscos de Contos IFBA | Seite 36
rabiscos de
contos
Tommie
Maria Eduarda Sena Nunes
Em uma pequena cidade vivia uma mulher que era amada por todos. Seu nome era
Tommie. Não existia uma pessoa que não a conhecesse em sua rua. Sempre despertando
paixões estranhamente perturbadoras, todos os homens que sentiam atração por ela em
pouco tempo se tornavam insanos, extremamente possessivos e obcecados por ela. A
mesma possuía uma beleza incomparável, chegando perto da perfeição. Seus olhos
possuíam e hipnotizavam de uma forma encantadora as pessoas que a encaravam.
Tommie era alucinada por sua aparência. Buscava insanamente alguém que pudesse
transferir totalmente sua beleza em uma obra, para que a sua beleza se tornasse eterna.
Em uma noite chuvosa Tommie conheceu "Benjamin", um pintor famoso por suas obras
que retratavam o realismo absoluto. Tommie facilmente convenceu o homem a criar uma
pintura de sua face "perfeita" no mesmo dia. Ela se encontrava na casa de Benjamin,
ansiosa pela finalização da obra. Finalmente acreditou que seu rosto seria estampado
eternamente em um quadro. Tommie não se movia um segundo, para a obrar sair
impecável, rígida como uma estátua. O artista admirava cada centímetro da mulher que
pousava em sua frente. A mulher parecia um imã aos olhos de Benjamin. O mesmo, se
dedicava completamente a observá-la.
Depois de algumas horas, Benjamin, admirado pela sua obra, mostrou delicadamente a
Tommie. A mesma instantaneamente gargalhou ao ver a obra. Esta, impecável aos olhos
de Benjamin, era como um rabisco à Tommie. Debochando do homem a sua frente,
Tommie se retirou da casa, sumindo completamente da vista de Ben. Após semanas,
Benjamin estava delirando. Desejava outra chance de retrata-la, pois ela era a modelo
perfeita que suas obras poderiam ter. Ben procurava a todo momento se encontrar com
Tommie, seu pensamento só se baseava nisso: "Tommie, Tommie, Tommie". Ben estava
obcecado, havia perdido totalmente sua sanidade, sua aparência havia mudado
drasticamente, estava esquelético, pálido, assustador, sem descansar por sua busca. Até
que em um dia, finalmente, Ben reencontrou Tommie. Invadiu a casa de outro artista, ao
saber que Tommie lá estava presente, e assassinou secretamente o pobre homem que
recusou a entrada de Ben. Ao ver Tommie, Ben implorou uma chance para pinta-la
novamente. Tommie pouco se importava então, aceitou sua proposta. No mesmo
momento, Ben levou Tommie para sua casa, sem remorso algum por ter assassinado uma
pessoa, escondendo isso a Tommie, que até então não tinha se situado.
Depois de horas fazendo o retrato de Tommie, Ben se sentia encantado pela beleza de sua
obra. Totalmente empolgado, mostrou a Tommie que, assustada, jogou o quadro no chão.
Ben havia feito sua obra mais perfeita, onde tinha o belo rosto de Tommie conectado a
outro rosto deformado, aterrorizante. O segundo rosto que Tommie escondia, a origem de
sua sedução que ninguém podia enxergar com uma sanidade mental saudável. Ben se
35