CIÊNCIA
CIÊNCIA
Monitoramento do Treinamento Esportivo
POR LUIS VIVEIROS *
Desde meados do século passado, profissionais do esporte se dedicam ao entendimento das cargas de treinamento com a observação de diferentes mecanismos para o melhor ajuste de sua periodização. Contudo, alguma coisa parece interferir no ambiente interno do nosso organismo durante a prática esportiva, que conforme a sua intensidade, duração e tipo, pode dificultar sua manutenção, potencializando o acometimento da fadiga precoce ou mesmo do overtraining.
A partir dessa observação, um grande número de trabalhos científicos foi desenvolvido, em áreas diversas do conhecimento, como a fisiologia do exercício, biomecânica, bioquímica e neurociências, que levantou hipóteses e modelos teóricos para explicar as respostas do organismo aos diferentes estímulos provocados pelo exercício.
Um grupo de pesquisadores, liderados por Franco Impellizzeri, propôs o monitoramento dos treinos através do entendimento das cargas internas e externas. A proposta é que as adaptações produzidas no organismo pelo treinamento, através das alterações biológicas e potencial genético, representam a carga interna de treino, enquanto a prescrição do treino em si( exercício, volume e intensidade) representa a carga externa.
Neste sentido, o monitoramento do treino possui relação direta com o acompanhamento da carga interna que, segundo as diferentes áreas do conhecimento, pode valorizar mais uma determinada variável. Exemplo: alterações na frequência cardíaca, hormônios, lactato e a percepção subjetiva do esforço( PSE), ou mesmo a observação externa do desempenho e marcas dos atletas.
Em função da facilidade de aplicação, a PSE se apresenta como um controle interno de monitoramento, aplicado à rotina das sessões de treino, por meio do entendimento das respostas periféricas, sinalizadas pelos músculos esqueléticos e pelas respostas cardiovasculares centrais, analisadas pelo córtex.
O sistema nervoso central, a partir destas informações, produz a percepção geral de esforço através de mecanismos de feedback. Nos últimos dez anos o grupo de pesquisadores liderados por Samuele Marcora, propôs que, independente dos estímulos musculares e cardiovasculares, a PSE parece ser influenciada diretamente por estímulos corolários, relacionados com mensagens enviadas do córtex motor ao sensorial. Desta forma, a PSE aferida após a sessão de treinamento pode representar uma resposta psicobiológica( esforço �sico e o estado de motivação do atleta) armazenada no sistema nervoso central.
O pesquisador Carl Foster em 2001 propôs, de forma aplicada, que o treinador poderia simplesmente perguntar ao atleta vinte a trinta minutos ao final da sessão de treinamento, qual era a PSE do mesmo através da escala CR10, seguido da multiplicação do tempo da sessão pelo escore obtido na mesma escala( Tabela 1)
Wagner Carmo / CBAt
32