REVISTA PODIUM Revista Podium edição 11 - Jan 2017 | Page 32

TREINADOR

TREINADOR

Vitaly Petrov leva Thiago Braz ao ouro olímpico

A

conquista da medalha de ouro no salto com vara pelo brasileiro Thiago Braz da Silva, nos Jogos do Rio 2016, fez do ucraniano Vitaly Petrov, internacionalmente respeitado, mais conhecido também do público do País. Embora discreto, o treinador ganhou visibilidade pela brilhante vitória de Thiago no Estádio Olímpico do Engenhão, quando o atleta bateu o recorde brasileiro, sul-americano e olímpico, com 6,03 m.
Nascido na cidade de Artemovsk, a 6 de outubro de 1945, Petrov orienta o brasileiro em Fórmia, na Itália, desde fins de 2014. Aos 71 anos, ele esbanja energia e a experiência de quem já foi o responsável pela preparação dos supercampeões da prova, Sergey Bubka, da Ucrânia, atualmente vice-presidente da IAAF, e Yelena Isinbayeva, da Rússia, nomeada recentemente para a direção da Agência Antidoping de seu país.
Antes de assumir a preparação de Thiago, Petrov teve desempenho importante no desenvolvimento de outros saltadores do Brasil, em acordos de intercâmbios mantidos com o técnico Elson Miranda de Souza, por meio da CBAt e da BM & FBovespa, clube do treinador paulista. Quem mais evoluiu foi a multicampeã Fabiana Murer, que este ano deixou as pistas e agora atua na área institucional da equipe, com sede em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Pai, amigo e cúmplice, assim se define Petrov, que acredita que Thiago já é igual ou melhor do que foi Bubka em diversos parâmetros técnicos, como na empunhadura. Para ultrapassar o sarrafo a 6,03 m, o brasileiro segurou a vara em 5,25 m, enquanto o ucraniano segurava 10 cm abaixo. Além disso, explica que diversos problemas já foram corrigidos: velocidade, corrida e técnica. A partir de agora, a dupla se concentrará em mudar de 18 para 20 passadas a corrida em direção ao salto.
Em entrevista dada no Brasil, em 2010, Petrov deixou claro que Thiago era um atleta com potencial para superar os 6,00 m. Agora, não vê obstáculos para o atleta tentar superar dentro de um ou dois anos o recorde mundial ao ar livre de 6,14 m de Bubka.
Vitaly Petrov
“ Na primeira vez que vi o Thiago treinar, pensei: se o Sergey pôde saltar 6,14 m, por que o Thiago não? É preciso ter esse tipo de relacionamento, estar com o atleta o máximo de tempo possível. Nós sabemos que todos os recordes e medalhas freiam o desenvolvimento do atleta. Devemos levar isso em conta”, observou.
Petrov lembra que começou a treinar Bubka quando ele tinha 10 anos, conhecia seu caráter, a forma de trabalhar e os hábitos.“ Assim ficou muito fácil”, disse. Quanto a Isinbayeva, a situação foi mais di�cil.“ Ela veio com 18 anos, já era adulta, não tinha sido formada por mim. Comigo bateu recordes e ganhou medalha olímpica, mas era mais di�cil trabalhar”, avaliou.
Para Petrov, 2017 marca novo início.“ Ele tem de esquecer que é campeão olímpico, terá que treinar mais forte do que treinava”, disse.
Wagner Carmo / CBAt
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