Compreender a frustração do guitarrista é preciso voltar ao passado e entender como tudo começou. Foi na cidade de Heston, na Inglaterra, em 1944, que Jimmy Page nasceu - e só foi no início da década de 60 que o músico, na época adolescente, se tornou o mais novo e requisitado instrumentista de estúdio em Londres.
"Todo mundo queria ver o que havia saído das cinzas do Yardbirds". A frase que foi dita pelo músico em entrevista a Rolling Stone americana em 2013, representa os três shows de abertura do Led Zeppelin para a banda Country Joe and the Fish na célebre casa de shows Fillmore West em janeiro de 1969. A série de apresentações colocou um ponto final nas críticas que existia sobre o Zeppelin e deu pontapé inicial para que o primeiro disco homônimo alcançasse uma excelente vendagem.
Certamente, isso não seria possível se a sonoridade que Page tanto almejava nos tempos de Yardbirds não ganhasse maturidade com a chegada de Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham. Desde o princípio, o Zeppelin sempre foi sua banda, circunstância que o levou a produzir todos os discos - inquestionável o trabalho de produção no antológico quarto álbum de 1971, o qual vendeu milhares de cópias e arrastou multidões mundo afora.
Tudo isso aconteceu no olhar de quem acompanhou todo nascimento, desenvolvimento e encerramento do projeto que ele idealizou. Viu de perto a morte de Bonham, que ao ingerir 40 doses de vodca, morreu em sua casa.
Anos depois, em 1966, Page entrou no lendário grupo de blues Yardbirds e se juntou ao guitarrista Jeff Beck. No ambiente, o artista pode usufruir da liberdade individual e colocar em prática as ideias e texturas que teve no seu tempo de estúdio. Após a saída de Beck e outros músicos, Page tomou a liderança da banda, achou novos integrantes e batizou o conjunto com outro nome.