Desde a mesma data, até agora, já apresentou várias edições da Moda Lisboa. Qual foi a que mais se sentiu realizado profissionalmente?
Às vezes as que mais marcam pode ser as que menos sucessos fizeram. A de 2007 que foi inverno em que intitulei Portugal Portugal e era muito inspirado em Portugal e nos temas portugueses, sobretudo muito concentrada no Alentejo, onde eu acabei por viver 8 anos, quando os meus pais regressaram definitivamente de Moçambique. Foi estrondosamente recebida emocionalmente pelo público. Eu lembro-me de ver pessoas a chorar quando eu saí, e é engraçado quando você toca num ponto esquecido pelas pessoas, basta pôr um lenço ao pescoço por um chapéu, um avental. Não podemos esquecer que a maior parte da população vem das províncias para as grandes cidades com uma avidez de saber, porque vêm para as universidades, vêm fazer carreiras, mas a sua essência, ou o seu ninho ou o seu aconchego, está na província. O sossego, a paz, está muito no campo. Eu vim da província para a cidade, e ali tem oportunidade de fazer piqueniques, ir aos fins-de-semanas por ali fora com os amigos nos campos, mais liberdade, muito contacto com a natureza, que você perde quando chega ao urbano, e o que eu senti ali, foi de facto as pessoas a relembrar imagens que de certa maneira tinham esquecido, e isso, tocou-lhes num ponto qualquer e eu estou sempre muito ligado à parte sentimental das pessoas.
O que representa para si a Moda Lisboa?
É uma plataforma que reúne durante duas vezes por ano uma estrutura com uma visibilidade em que nós podemos mostrar aquilo que fazemos e, de uma certa maneira, a moda é muito volátil e nós vivemos uma concorrência brutal e vivemos numa industria que é completamente, é como se fosse uma vassoura que varre, nós trabalhamos com “budgets” completamente diferentes do resto do mundo. Nós somos invadidos por marcas que chegam a Portugal que, por acaso, colocaram e têm produção em massa. Se você trabalha com peças únicas e estas grandes marcas, multinacionais, que vendem para o mundo inteiro, e a quantidade faz o preço, e é impossível competir com os preços destas grandes industrias e se temos uma moda Lisboa que nos alavanca duas vezes por ano a dizer: “hei meninos calma existe moda nacional” que com dificuldade ou não dificuldade, consegue acontecer duas vezes por ano.
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