A
ssim como outras práticas
artesanais, o bordado
tem o poder da atuação
coletiva. Grupos de bordado
aproveitam espaços para
compartilhar e trocar saberes sobre
técnicas e dividir suas motivações
e histórias. Além do fazer coletivo,
o bordado artesanal tem em suas
características a sustentabilidade
econômica e a transmissão do
conhecimento geracional. Para
Queiroz (2011), a relação que as
artistas-artesãs estabelecem entre si
é um “espaço entre iguais”, onde se
encontram e comunicam, mesmo não
estando agrupadas em associações.
Essa natureza comunitária é mantida
na contemporaneidade, uma vez
que o compartilhamento continua
sendo, na maioria dos casos, uma
característica intrínseca à prática.
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Uma das tendências do bordado
decorativo na contemporaneidade
é a transformação do bastidor
em chassi de tela, sendo este o
produto final que será colocado
à venda. Na sessão “Imóveis”
do G1 foi publicada em 19 de
outubro de 2016 uma matéria
apostando no bordado em bastidor
como um “toque de delicadeza a
decoração” (BORDADO..., 2016).
Em matérias de portais virtuais
de revistas sobre decoração e
outros sites do gênero, observamos
a apresentação recorrente de
bordados em bastidor como
objetos de arte decorativa. Na
Casa Claudia de 14 de fevereiro
de 2017, Marina Conte afirma que
“Nos últimos tempos, o bordado,
técnica tão usada pelas nossas avós
para dar mais graça aos tecidos
e que andava meio abandonada,
voltou com tudo”. É, portanto,
uma tendência com abrangência
ampla e cuja produção e projeção
pode manter o caráter coletivo.
O bastidor é uma peça importante
para o bordado. Ele tem a função
de tensionar o tecido, deixar o
ponto firme e facilitar o trabalho
da bordadeira. Nos bordados em
bastidor utilizados para decoração,
chamados também de quadros
bastidores, o utensílio se transforma
em moldura, como o chassi das telas
de pintura, assumindo diversos
formatos que não só o redondo
mais tradicional. Os bordados,
que normalmente se desprendiam
dos bastidores para serem roupas,
bolsas, tapetes, colchas, toalhas e
outros objetos domésticos, passam
a ser pensados e desenhados como
elementos de decoração, para ficarem
expostos junto com suas armações.
Atualmente, diversos grupos de
bordado trabalham um leque amplo
de técnicas e modalidades que
tratam o bastidor com propósito
decorativo. Dentre eles, podemos
citar o Clube do Bordado, criado no
Brasil em 2013 e comandado por
mulheres. Dentre seus objetivos está
incentivar a valorização do bordado
e encorajar o empoderamento
feminino por meio do fazer manual.
O grupo iniciou-se com encontros
semanais de amigas para bordar
e compartilhar experiências e foi
despertando o interesse em outras
pessoas, chegando a oferecer
periodicamente cursos e oficinas
de bordado. As coleções de moda e
objetos decorativos produzidos pelo
Clube ganham cada dia mais projeção
através da mídia e graças a parcerias
com organismos públicos e privados.