REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 84

A ssim como outras práticas artesanais, o bordado tem o poder da atuação coletiva. Grupos de bordado aproveitam espaços para compartilhar e trocar saberes sobre técnicas e dividir suas motivações e histórias. Além do fazer coletivo, o bordado artesanal tem em suas características a sustentabilidade econômica e a transmissão do conhecimento geracional. Para Queiroz (2011), a relação que as artistas-artesãs estabelecem entre si é um “espaço entre iguais”, onde se encontram e comunicam, mesmo não estando agrupadas em associações. Essa natureza comunitária é mantida na contemporaneidade, uma vez que o compartilhamento continua sendo, na maioria dos casos, uma característica intrínseca à prática. 84 Uma das tendências do bordado decorativo na contemporaneidade é a transformação do bastidor em chassi de tela, sendo este o produto final que será colocado à venda. Na sessão “Imóveis” do G1 foi publicada em 19 de outubro de 2016 uma matéria apostando no bordado em bastidor como um “toque de delicadeza a decoração” (BORDADO..., 2016). Em matérias de portais virtuais de revistas sobre decoração e outros sites do gênero, observamos a apresentação recorrente de bordados em bastidor como objetos de arte decorativa. Na Casa Claudia de 14 de fevereiro de 2017, Marina Conte afirma que “Nos últimos tempos, o bordado, técnica tão usada pelas nossas avós para dar mais graça aos tecidos e que andava meio abandonada, voltou com tudo”. É, portanto, uma tendência com abrangência ampla e cuja produção e projeção pode manter o caráter coletivo. O bastidor é uma peça importante para o bordado. Ele tem a função de tensionar o tecido, deixar o ponto firme e facilitar o trabalho da bordadeira. Nos bordados em bastidor utilizados para decoração, chamados também de quadros bastidores, o utensílio se transforma em moldura, como o chassi das telas de pintura, assumindo diversos formatos que não só o redondo mais tradicional. Os bordados, que normalmente se desprendiam dos bastidores para serem roupas, bolsas, tapetes, colchas, toalhas e outros objetos domésticos, passam a ser pensados e desenhados como elementos de decoração, para ficarem expostos junto com suas armações. Atualmente, diversos grupos de bordado trabalham um leque amplo de técnicas e modalidades que tratam o bastidor com propósito decorativo. Dentre eles, podemos citar o Clube do Bordado, criado no Brasil em 2013 e comandado por mulheres. Dentre seus objetivos está incentivar a valorização do bordado e encorajar o empoderamento feminino por meio do fazer manual. O grupo iniciou-se com encontros semanais de amigas para bordar e compartilhar experiências e foi despertando o interesse em outras pessoas, chegando a oferecer periodicamente cursos e oficinas de bordado. As coleções de moda e objetos decorativos produzidos pelo Clube ganham cada dia mais projeção através da mídia e graças a parcerias com organismos públicos e privados.