REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 65

a literatura, e torná-la parte do meu processo criativo. Além de pensar a poesia para o espaço da página através da inter-relação de diferentes formas artísticas, das relações intermidiáticas, criando diálogo conceitual entre o elemento visual e as palavras. Inspirada pela descoberta recente do movimento do Gráfico Amador, comecei a trabalhar segundo a perspectiva de experimentação gráfica tipográfica, de processos, linguagens e outras formas de fazer. Segundo Lima (2014), entre os anos de 1954 e 1961, um grupo de intelectuais, ilustradores, escritores, editores, poetas e artistas, autodenominado Gráfico Amador, produziu em Recife, mais de 30 obras que vieram a se tornar marcos na história contemporânea da literatura, da arte e do design do Brasil. O grupo desejava publicar seus próprios escritos e o circuito editorial não era acessível. Esse coletivo trabalhava com a prensa manual e tipos móveis, publicando textos literários — especialmente poesias —, e algumas tiragens eram até assinadas. Ao longo dos anos, o Gráfico Amador, publicou autores como Carlos Drummond de Andrade, Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto, todos membros do coletivo. Para Bonan (2017, p. 4), o Gráfico Amador representa uma tentativa, em pleno anos 1950, de busca por um design “nacional”, mais próximo à linguagem da cultura popular, em um momento em que a influência construtiva se fixava no Brasil no campo estético. “Uma oficina que explora as técnicas de impressão manual e reverencia a ilustração, que por sua vez salta aos olhos pela sintonia com a cultura popular pernambucana, em oposição às tendências construtivas que chegavam ao Brasil, por influência da Bauhaus e da Escola de Ulm” (BONAN, 2017, p. 6). Embora tenha durado poucos anos, o Gráfico Amador, influenciou a relação da literatura com as artes gráficas no Brasil. Em sua obra é possível notar a escolha dos tipos, uso dos espaços em branco e disposição de linhas e do texto na página. Sendo assim, Respiros Poéticos pretendeu experimentar processos de criação que envolvessem o diálogo entre design, artes visuais e poesia, dentro da experimentação em diagramação, tipografias artesanais e poesia. 65