a literatura, e torná-la parte do
meu processo criativo. Além de
pensar a poesia para o espaço da
página através da inter-relação
de diferentes formas artísticas,
das relações intermidiáticas,
criando diálogo conceitual entre
o elemento visual e as palavras.
Inspirada pela descoberta recente
do movimento do Gráfico Amador,
comecei a trabalhar segundo a
perspectiva de experimentação
gráfica tipográfica, de processos,
linguagens e outras formas de
fazer. Segundo Lima (2014), entre
os anos de 1954 e 1961, um grupo
de intelectuais, ilustradores,
escritores, editores, poetas e artistas,
autodenominado Gráfico Amador,
produziu em Recife, mais de 30 obras
que vieram a se tornar marcos na
história contemporânea da literatura,
da arte e do design do Brasil. O grupo
desejava publicar seus próprios
escritos e o circuito editorial não era
acessível. Esse coletivo trabalhava
com a prensa manual e tipos móveis,
publicando textos literários —
especialmente poesias —, e algumas
tiragens eram até assinadas. Ao
longo dos anos, o Gráfico Amador,
publicou autores como Carlos
Drummond de Andrade, Ariano
Suassuna e João Cabral de Melo
Neto, todos membros do coletivo.
Para Bonan (2017, p. 4), o Gráfico
Amador representa uma tentativa,
em pleno anos 1950, de busca
por um design “nacional”, mais
próximo à linguagem da cultura
popular, em um momento em que
a influência construtiva se fixava
no Brasil no campo estético.
“Uma oficina que explora as técnicas
de impressão manual e reverencia a
ilustração, que por sua vez salta aos
olhos pela sintonia com a cultura popular
pernambucana, em oposição às tendências
construtivas que chegavam ao Brasil, por
influência da Bauhaus e da Escola de Ulm”
(BONAN, 2017, p. 6).
Embora tenha durado poucos anos,
o Gráfico Amador, influenciou a
relação da literatura com as artes
gráficas no Brasil. Em sua obra é
possível notar a escolha dos tipos, uso
dos espaços em branco e disposição
de linhas e do texto na página.
Sendo assim, Respiros Poéticos
pretendeu experimentar processos
de criação que envolvessem
o diálogo entre design, artes
visuais e poesia, dentro da
experimentação em diagramação,
tipografias artesanais e poesia.
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