REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 54

religiões de matriz africana, para as quais estes espaços são regidos por sua própria divindade. SEQUÊNCIA 25: imagens do Ativa Atelier, a mais recente encruzilhada, no bairro do Rio Vermelho. SEQUÊNCIA 26: imagens das feiras Tiijuana de 2014 e 2018. SEQUÊNCIA 27: imagens de trabalhos de design de Lia Cunha, Tiago Ribeiro, Juliana Rangel e Leandro Estevam. (5) As Editoras Duna e Gris, além do coletivo Tanto, são exemplos de iniciativas soteropolitanas que se apropriam do livro como estratégia de produção artística colaborativa. Exu, senhor das encruzilhadas, abre os caminhos. Contudo, “a noção de caminho assentada no signo Exu se compreende enquanto possibilidade, e não como certeza” (RODRIGUES JUNIOR, 2018, p. 78). O universo de encruzilhadas das feiras de publicações independentes possibilitou tanto o consumo fetichista, quanto as trocas de saberes e fazeres. Potencializou encontros entre percursos criativos de diferentes autores e autoras. O designer canadense Bruce Mau, ao falar de seus trabalhos, realizados no hemisfério norte nas décadas de 1990 e 2000, ilustra bem as características das abordagens plurais adotadas nesses cruzamentos soteropolitanos. Ao contrário do que pensa a lógica ocidental, nas encruzilhadas um caminho não se torna viável em detrimento de outros. “A encruzilhada esculhamba a linearidade e a pureza dos cursos únicos, uma vez que suas esquinas e entroncamentos ressaltam as fronteiras como zonas pluriversais, onde múltiplos saberes se atravessam, coexistem e pluralizam as experiências e suas respectivas práticas de saber” (Idem). “A nova abordagem substitui a divisão de trabalho pela síntese, clientes e contratações por colaboradores e parceiros, executar tarefas por negociar espaços, produção máxima por feedback máximo, e forma aplicada ao conteúdo por forma e conteúdo simultaneamente evoluindo e enriquecendo um ao outro” (MAU, 2000, p. 327). De fato, por meio da formação de coletivos e pequenas editoras 5 no período entre 2013 e 2019, houve uma guinada na direção da prática coletiva e das trocas interdisciplinares, no campo do livro de artista. A Tiragem e a Sociedade da Prensa são exemplos que ilustram essa tendência local.