REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 39

Maré de Matos para Laura Castro 16 de mai de 2019 12:20 pois eu te li em trechos no meio de deslocamentos e fiquei tentando capturar o sentido mas depois me abri pra possibilidade de compreender o que acompanha o corpo, porque reverbera, durante os caminhos? de lá (semana passada) até agora, cruzei o mapa e cheguei (junto com a chuva) aqui no sertão do pajeú. pra caçar poesia das mulheres e plantar inquietações como safra. partilho contigo os sinais: agora entendo porque o tempo me trouxe aqui também pra essas trocas: aqui se faz poesia enquanto a poeta se corta: aqui se tensiona os limites da escrita e da oralidade : aqui a poesia desafia porque desafia a realidade; gosto de colocar as palavras de territórios diferentes pra conversar e ver que língua sobra dessa troca agora, entre pajeú e bahia (porque é dinâmica a vida), como admitir (com simplicidade) que a poesia desafie a complexidade dos dias? ; imagine só, daqui de mundo novo (distrito de São José do Egito), a Severina Branca conversa com Cabral: “Eu perdi a noção dos meus pecados Pela fome com facas de perjuras Que cortava minha alma com agruras E sangrava o meu peito já ferido O silêncio da noite é quem tem sido Testemunha das minhas amarguras.” (Severina Branca) ,te espero Em ter, 21 de mai de 2019 às 08:57, Laura Castro escreveu: Maré, Hoje sonhei com Rose e assim que acordei nas redes, vi uma foto de vocês no Pajeú. Já desejava te escrever nesta terça-feira de Ogum, mais um sinal das facas, por isso vim aqui logo fazer acontecer essas linhas antes do café-da-manhã, me nutrindo da nossa conversa.