Maré de Matos
para Laura Castro
16 de mai de 2019 12:20
pois eu te li em trechos no meio de deslocamentos e fiquei tentando capturar o sentido
mas depois me abri pra possibilidade de compreender o que acompanha o corpo,
porque reverbera, durante os caminhos?
de lá (semana passada) até agora, cruzei o mapa e cheguei (junto com a chuva) aqui
no sertão do pajeú. pra caçar poesia das mulheres e plantar inquietações como safra.
partilho contigo os sinais: agora entendo porque o tempo me trouxe aqui também pra
essas trocas: aqui se faz poesia enquanto a poeta se corta: aqui se tensiona os limites
da escrita e da oralidade : aqui a poesia desafia porque desafia a realidade;
gosto de colocar as palavras de territórios diferentes pra conversar e ver que língua
sobra dessa troca
agora, entre pajeú e bahia (porque é dinâmica a vida), como admitir (com simplicidade)
que a poesia desafie a complexidade dos dias?
;
imagine só, daqui de mundo novo (distrito de São José do Egito), a Severina Branca
conversa com Cabral:
“Eu perdi a noção dos meus pecados
Pela fome com facas de perjuras
Que cortava minha alma com agruras
E sangrava o meu peito já ferido
O silêncio da noite é quem tem sido
Testemunha das minhas amarguras.”
(Severina Branca)
,te espero
Em ter, 21 de mai de 2019 às 08:57, Laura Castro escreveu:
Maré,
Hoje sonhei com Rose e assim que acordei nas redes, vi uma foto de vocês no
Pajeú.
Já desejava te escrever nesta terça-feira de Ogum, mais um sinal das facas, por
isso vim aqui logo fazer acontecer essas linhas antes do café-da-manhã, me
nutrindo da nossa conversa.