a noção do pensar separado
do corpo e assumem, sim, um
pensar-sentir que é corpo e que
se estende a suas linguagens.
Essas tecnologias trazem a
questão o corpo e seus limites, e
o repensar da própria existência.
Os movimentos do ser no tempo
e no espaço compõem o visível
de um corpo, que é pele, tecido,
superfície, volume e devir. Assim,
enquanto se percebe os limites do
corpo e sua efemeridade, é também
reconhecida sua plasticidade e
força retórica; sua permeabilidade,
como espaço “entre”.
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O movimento de emancipação do
corpo é análogo ao movimento de
emancipação do sujeito. Assim, volto
meu olhar para práticas urbanas
em cruzamento com práticas
xamânicas de povos originários,
subtropicais, buscando contemplá-
las como ambientes onde o exercício
criativo do corpo e seu entorno
se dá de modo libertador, diverso
ao do colonialismo. Questiono
de que modo o desabamento
das estruturas psiquicamente
coloniais não seria um caminho.
Diante deste desconhecido si
mesmo - na era da informação,
da sociedade do desempenho,
das tecnologias avançadas, das
viagens interplanetárias – observa-
se um movimento de retorno a
um estado de inocência, frente
a eminente anestesia que nos
assombra, resultado de uma
sensação de impotência política.
Os Corpos (Im)possíveis como
tecnologias de transformação,
situam-se num contexto de
desabamento, de precariedade. São
tentativas de resiliência perante a
crises, situações-limite vividas no
nosso tempo, que nos convidam
a devir outra, outro, outres.
A crise apresenta-se como
situação de vulnerabilidade, ou
de desamparo, da qual nos fala
Vladimir Safatle (2015). A situação
de desamparo que impulsiona o
sujeito a inventar-se, é o lugar
de onde surge a consciência da
própria vulnerabilidade, sem
expectativas de ganhos; é o que
impulsiona o sujeito a ser agente
transformador(a), que abdica da
necessidade de sustentação de suas
propriedades, e até mesmo, do
que vem constituindo-o como um
indivíduo distinto da sociedade.
Talvez a questão não seja mais
ser ou não ser, mas, “por que não
ser?”, já que não ser não é uma
questão de escolha, mas sim, de
estar subjugado(a) a alguma forma
de imposição alheia, de negação
heterônoma dos possíveis, mesmo
quando esta negação é interiorizada
e exercida pelo próprio sujeito
a despeito dele(a) mesmo(a).
Ser não requer sujeição, mas
descascamento, desconstrução,
potência de negatividade,
ou seja, a negação da ação
automática, a força de não fazer.
De tudo que não sabemos sobre o Ser
impossível, talvez possamos inferir
que é um ser cansado(a), oriundo de
um desabamento, parecido(a) com o
super humano de Nietzsche ou com
o Índio de Caetano Veloso portando
a mais avançada das tecnologias, e
que talvez more num lugar chamado
Lugar Nenhum, onde seja possível
viver de modo contemplativo.