REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 104

106 Em 2012, iniciei um processo com meus diários pessoais, em que suas páginas, assim como cartas, objetos e pedaços de tecido compunham um vestido. Eu estava morando no Rio e me propus o desafio de costurar esse vestido a partir de memórias afetivas de lá e de Salvador. Posteriormente, esse processo foi acompanhado de registros audiovisuais que fiz com alguns amigos e amigas, e que geraram performances na rua. O vestido, objeto central deste projeto que chamei de Rio Afetivo, compreendia minha relação com as coisas que “não deram certo”, com a angústia que eu tinha de não ter conseguido completá- lo, com a dificuldade de estar naquela cidade e de me sustentar de diversas maneiras. Foi quando eu comecei a me apropriar das faltas, a encarar o abismo de frente, e mergulhar neste processo de composição-decomposição, que configurava uma narrativa pessoal fragmentada, por vezes ficcional, de onde era necessário abrir mão de uma perspectiva arborescente para uma visão rizomática do processo criativo. Mais tarde, em 2014, tomando a escrita como ponto de partida, desenvolvi minha pesquisa de mestrado, intitulada Diários Visuais Sonoros. Nela me debrucei