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Em 2012, iniciei um processo com
meus diários pessoais, em que suas
páginas, assim como cartas, objetos
e pedaços de tecido compunham um
vestido. Eu estava morando no Rio e
me propus o desafio de costurar esse
vestido a partir de memórias afetivas
de lá e de Salvador. Posteriormente,
esse processo foi acompanhado
de registros audiovisuais que fiz
com alguns amigos e amigas, e que
geraram performances na rua.
O vestido, objeto central deste
projeto que chamei de Rio Afetivo,
compreendia minha relação com
as coisas que “não deram certo”,
com a angústia que eu tinha de
não ter conseguido completá-
lo, com a dificuldade de estar
naquela cidade e de me sustentar
de diversas maneiras. Foi quando
eu comecei a me apropriar das
faltas, a encarar o abismo de
frente, e mergulhar neste processo
de composição-decomposição,
que configurava uma narrativa
pessoal fragmentada, por vezes
ficcional, de onde era necessário
abrir mão de uma perspectiva
arborescente para uma visão
rizomática do processo criativo.
Mais tarde, em 2014, tomando a
escrita como ponto de partida,
desenvolvi minha pesquisa de
mestrado, intitulada Diários
Visuais Sonoros. Nela me debrucei