DESENVOLVENDO LIDERANÇAS
ORA DE RECUAR, MANTER
PLANOS OU AVANÇAR?
Vivemos momentos de incerteza: Desequilíbrios na economia, problemas com
corrupção, ainda os efeitos da crise financeira mundial de 2008, incógnitas no jogo
político mundial... O que se espera dos líderes de empresas, do governo e da
sociedade civil? E de nossos cidadãos?
O que seria agir com bom senso em momentos como estes que vivemos em nosso
país? Tomar decisões cautelosas, com um conservadorismo que busque proteger o
que foi conquistado até agora, que leve a uma puxada no breque, a cortar custos,
reduzir o quadro etc.? Ou bom senso seria tomar decisões que honrem os planos de
médio e longo prazos já traçados, que levem a executar com redobrada energia o que
já foi decidido, sem deixar o nível de motivação cair, sem deixar o desânimo
prevalecer na organização? Ou seria “bom senso estratégico”, nestes tempos de
incerteza, avançar com mais ousadia do que normalmente e até “pisar fundo no
acelerador”?
Bom senso em momentos como estes, na verdade, seria levar essas questões à
mesa de um jeito que as três alternativas sejam muito bem avaliadas. De acordo com
nossa experiência nos workshops com as lideranças, não é o que acontece com mais
frequência nas organizações. Grande parte dos debates tende a ficar concentrada
nos cortes necessários e só parcialmente na alternativa de manter os planos (e
mesmo assim, pelo lado negativo, do nada fazer, do deixar a inércia prevalecer...). A
alternativa de manter os planos, mas com o tempero de inovações táticas que os
ajustem à situação atual, não vem à tona com facilidade. Mais difícil de vir à mesa é a
terceira alternativa: a de avançar até com mais vigor e ousadia, seguindo na direção
contrária a da maioria... E até investir mais quando todos parecem estar
“desinvestindo”.
Há ainda uma quarta alternativa, esta muito mais rara. A de corajosamente enxergar
os limites do “modelo de atuação” no qual a organização e o próprio sistema maior
parecem estar presos, e aproveitar o momento de aparente “crise” para reinventar o
próprio modelo. E sem que isso signifique jogar tudo para o alto e começar tudo de
novo (crítica que os céticos costumam fazer para desqualificar essa quarta
alternativa). Significa simplesmente iniciar a jornada – ao mesmo tempo em que
buscamos melhorar o que se faz hoje - na direção de um futuro muito diferente que
temos condições de criar, por meio de “embriões” do modelo de atuação que
acreditamos que deverá prevalecer no futuro.
Podemos atuar nas quatro alternativas? Sim. Devemos. E concomitantemente.
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