Revista Maio | Page 4

DESENVOLVENDO LIDERANÇAS ORA DE RECUAR, MANTER PLANOS OU AVANÇAR? Vivemos momentos de incerteza: Desequilíbrios na economia, problemas com corrupção, ainda os efeitos da crise financeira mundial de 2008, incógnitas no jogo político mundial... O que se espera dos líderes de empresas, do governo e da sociedade civil? E de nossos cidadãos? O que seria agir com bom senso em momentos como estes que vivemos em nosso país? Tomar decisões cautelosas, com um conservadorismo que busque proteger o que foi conquistado até agora, que leve a uma puxada no breque, a cortar custos, reduzir o quadro etc.? Ou bom senso seria tomar decisões que honrem os planos de médio e longo prazos já traçados, que levem a executar com redobrada energia o que já foi decidido, sem deixar o nível de motivação cair, sem deixar o desânimo prevalecer na organização? Ou seria “bom senso estratégico”, nestes tempos de incerteza, avançar com mais ousadia do que normalmente e até “pisar fundo no acelerador”? Bom senso em momentos como estes, na verdade, seria levar essas questões à mesa de um jeito que as três alternativas sejam muito bem avaliadas. De acordo com nossa experiência nos workshops com as lideranças, não é o que acontece com mais frequência nas organizações. Grande parte dos debates tende a ficar concentrada nos cortes necessários e só parcialmente na alternativa de manter os planos (e mesmo assim, pelo lado negativo, do nada fazer, do deixar a inércia prevalecer...). A alternativa de manter os planos, mas com o tempero de inovações táticas que os ajustem à situação atual, não vem à tona com facilidade. Mais difícil de vir à mesa é a terceira alternativa: a de avançar até com mais vigor e ousadia, seguindo na direção contrária a da maioria... E até investir mais quando todos parecem estar “desinvestindo”. Há ainda uma quarta alternativa, esta muito mais rara. A de corajosamente enxergar os limites do “modelo de atuação” no qual a organização e o próprio sistema maior parecem estar presos, e aproveitar o momento de aparente “crise” para reinventar o próprio modelo. E sem que isso signifique jogar tudo para o alto e começar tudo de novo (crítica que os céticos costumam fazer para desqualificar essa quarta alternativa). Significa simplesmente iniciar a jornada – ao mesmo tempo em que buscamos melhorar o que se faz hoje - na direção de um futuro muito diferente que temos condições de criar, por meio de “embriões” do modelo de atuação que acreditamos que deverá prevalecer no futuro. Podemos atuar nas quatro alternativas? Sim. Devemos. E concomitantemente. 4