Revista Líder Coach - Setembro - Novembro - 2019 Revista Líder Coach 14 11 2019 | Page 63
Elton Mayo, um dos seus principais
defensores, foi alvo de muitas
críticas ao defender suas ideias,
diretamente relacionadas ao
fi m da visão mecanicista nas
indústrias, onde viam as pessoas
como máquinas – Assista Tempos
Modernos do Charles Chaplin.
Desta forma, Mayo propôs uma visão
mais humana para a administração,
dedicada a olhar as pessoas como
homens e não como máquinas.
Contudo, em uma das críticas
listadas por seus opositores, dizia:
“Concepção ingênua e romântica
do operário. A fi gura do operário
feliz, produtivo e integrado, nunca
foi comprovada, podendo ocorrer:
operários felizes e improdutivos
ou infelizes e produtivos”.
O ROMANTISMO
Bem, chegamos ao ponto relevante
para o momento atual do Coaching.
Existe, e isso é uma afi rmação,
um romantismo exagerado
demonstrado pela maioria dos
atuantes de Coaching, formados
ou não. E, esse é o principal fato
que remete à falta de credibilidade
e desconfi ança aos profi ssionais
e às atividades de Coaching.
Por analogia, o romantismo foi um
movimento artístico, intelectual
e fi losófi co ocorrido no fi nal do
Século XVIII até metade do século
XIX que dava ênfase à exaltação
da natureza, ao individualismo
das pessoas e as suas emoções.
Você vê alguma semelhança
entre o romantismo e a postura
da maioria dos coaches?
Logo, é assim que eu tenho
testemunhado quando me deparo
com alguns coaches e ouço o que
têm a dizer ou leio o que escrevem.
Minha conclusão é que para o
Romântico Coach, “obrigado”
não é permitido, tem que dizer
gratidão. Não se diz mais “acreditar”,
tem que ser crença. Não é mais
“equilíbrio” e “harmonia”, mas
fl ow (fl uxo: que dá o sentido de
fl uidez, continuidade, equilíbrio).
Nesse contexto romântico,
subentende-se que o coach
e suas ferramentas são
capazes de resolver todas
as difi culdades do mundo.
E aqui está! É neste ponto que estão
ocorrendo, injustamente, as maiores
críticas ao Coaching. São coaches
e não-coaches declarando os mais
fantasiosos objetivos atribuídos a ele.
Os equívocos do romantismo
no Coaching
Não raro, dizem que resolve
casos de depressão, atuando
equivocadamente como psicólogos,
uma vez que garantem que são
capazes de transformar, em dez
sessões, toda uma vida de hábitos
e comportamentos indesejados
e que levam ao sucesso e às
realizações rapidamente, como se
transformassem água em vinho.
Além disso, dizem que mudam
o DNA humano, que terá um
corpo perfeito em pouco tempo
e que são capazes de até resolver
dívidas fi nanceiras com o banco.
Esse romantismo exagerado se
espelha na forma como escreve, ou
seja, sempre carregado de palavras
bonitas e mensagens que arrancam
suspiros e refl etem na forma,
infantil, ao se dirigir às pessoas.
Parece-me que a vida do
coach é perfeita e que existe,
permanentemente, um sorriso
estampado em seu rosto.
Que tudo é lindo e maravilhoso e que
os problemas da vida são simples
de serem resolvidos e que, além de
tudo, você só não consegue atingir
seus objetivos se não quiser ou se
não houver esforço sufi ciente.
Em suma, tudo isso é irreal;
é puro romantismo!
O REALISMO
Entretanto, precisamos viver a
realidade e, principalmente, passar a
realidade às pessoas, pois a verdade
é que, nós coaches, não temos uma
vida perfeita; estamos repletos de
crenças limitantes, procrastinamos,
entramos em confl itos em nossos
relacionamentos, nos deprimimos,
temos difi culdades em atingir nossos
objetivos e não somos capazes de
resolver todo ou qualquer problema.
Nem mesmo os nossos, da mesma
forma como todo o restante da
humanidade, assim como um
médico não está isento de contrair
uma doença, visto que, sobretudo,
somos seres humanos e complexos!
Portanto, convido você coach a
equilibrar seu romantismo com
outro movimento, também artístico,
que ocorreu no Século XIX e que
vai de encontro ao romantismo.
Refi ro-me ao Realismo.
Movimento que representa a
realidade vivida pela sociedade
que, invariavelmente, se faz
através de críticas, erros, acertos,
desajustes, alegrias e tristezas.
Que envolve temas sociais, pessoais,
profi ssionais e emocionais. Tudo
isso de forma simples e que
refl ete a realidade, dura ou não.
Desta forma, novamente,
convido você coach a usar o seu
aprendizado para propor às pessoas
apenas uma possibilidade, mas
real, que é a de aprender a lidar
com os entraves e vieses que a
vida oferece todos os dias.
Enfi m, o nosso papel como coach
é o de, simplesmente, através de
técnicas apropriadas e sem fantasias
ou exageros, induzir os nossos
coachees a pensarem e encontrarem,
por si só, as próprias soluções ou
maneiras mais leves para viver a vida.
Simples assim!
Contudo, ao fi nal, sempre
há um começo.
Carinhoso e intenso abraço!
RUBERVAL MACHADO é
professor, diretor do Nicho
de Empreendedorismo da
ABRAPCoaching, Professor
Bacharel em Ciências e
Matemática, Especialista em
Gestão de Marketing, Copywriter
and Ghostwriter, Mentor em
Empreendedorismo, Professional
and Self Coach, Leader and
Manager Coach, Analista 360°
e Analista Comportamental.
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