Revista Líder Coach - Setembro - Novembro - 2019 Revista Líder Coach 14 11 2019 | Page 19

João era um ótimo técnico, com muitos anos de empresa e sempre elogiado pelos clientes por prestar um ótimo serviço! Consertava os equipamentos rapidamente, tinha vasta experiência e todos os outros técnicos pediam auxílio a ele quando se deparam com um problema mais cabeludo. Satisfeito com o desempenho de João e na intenção de reconhecer seu ótimo trabalho, a empresa o promoveu a supervisor da área técnica, sendo agora chefe dos seus antigos companheiros. Meses depois o departamento técnico da empresa estava em difi culdades: tinha baixado a qualidade dos seus serviços, havia reclamações de clientes e o ambiente interno estava “pesado”. Sabe por que isso aconteceu? Porque a empresa havia perdido um ótimo técnico e não tinha ganhado um ótimo líder. A história acima refl ete o que acontece em várias empresas. A pessoa é promovida a um cargo de liderança por suas competências técnicas, mas não necessariamente possui as competências de liderança necessárias. É lógico que qualquer pessoa pode desenvolver novas habilidades e competências, e todos os funcionários possuem potencial para se tornarem bons líderes. Mas o contrassenso é que a pessoa geralmente é colocada num posto de liderança devido às habilidades que ela não exercerá na nova função. O que te levou à liderança não é o que o manterá na liderança! Este é um dos grandes problemas enfrentados por muitos líderes. A liderança é um elo entre pessoas e resultados, e sua função é orientar, gerenciar e conduzir a equipe aos resultados esperados pela empresa. Na posição de líder, o colaborador precisará ter uma visão sistêmica da empresa e do departamento, além de desenvolver novos aspectos comportamentais como inteligência emocional, relação interpessoal e tantos outros desafi os. Outra difi culdade de quem é elevado a um novo cargo é o relacionamento com os antigos pares de profi ssão. Muitas vezes o novo líder se sente desconfortável em cobrar ou chamar a atenção de seus antigos companheiros. Por outro lado, seus antigos parceiros podem se sentir “traídos” por aquele que até ontem estava ao seu lado. Os funcionários que não eram tão próximos do novo líder tendem a se sentir perseguidos e achar que outros colegas estão sendo benefi ciados por conta de uma antiga amizade com o novo chefe. Também é comum vermos esses novos líderes permanecerem em funções técnicas e meramente operacionais no dia a dia, deixando de lado o acompanhamento da equipe e o desenvolvimento do seu time. Isso acontece porque o lado operacional é a “zona de conforto” do novo líder, já que foi assim que ele sempre trabalhou e foi dessa forma que ele conseguiu destaque na empresa. Ou seja, se a decisão de uma promoção não for muito bem analisada e pensada, a empresa corre sério risco de sair perdendo, tanto tecnicamente quanto no comando de um grupo. Por isso, o ideal é que o líder seja escolhido tendo em vista sua capacidade de comunicação, engajamento, habilidade em unir pessoas e direcionar os esforços no caminho de um objetivo comum. ALEXANDRE GABOARDI é Coach especialista em Produtividade, Alta Performance e Liderança; seu trabalho é ajudar pessoas e empresas a terem mais tempo livre e melhores resultados fi nanceiros, através de métodos de trabalho inteligentes. É também mentor de Coaches em início de carreira, ajudando o Coach no planejamento e estruturação do seu Negócio e ensinando como aumentar o portifólio de serviços e conseguir vendas e clientes pagantes recorrentes. Membro da Sociedade Brasileira de Coaching e Diretor da Associação Brasileira dos Profi ssionais de Coaching. Gaboardi é também fundador da empresa Treinna – Coaching, Consultoria e Treinamentos, ministra palestra, cursos e treinamentos sobre gestão do tempo, produtividade e liderança. É co-autor dos livros O problema é seu, a solução é nossa e Coaching, a hora da virada, ambos pela editora Literare Books. LÍDER COACH 19