Lute contra o câncer de mama. Lute por você...
Carla Caruso
Em junho do ano passado uma amiga próxima me disse: “ Estou com nódulos no seio direito...e são malignos...Estou com câncer”. Ouvir aquilo foi como um soco no estômago. Ela estava com 38 anos e além de ser uma pessoa risonha , sempre feliz, tinha seu trabalho, sua religião, sua vida...normal...como a minha...
Corri ao meu ginecologista e contei que ela havia descoberto nos exames de praxe...mas que a mamografia, feita até então com regularidade tinha sido a grande ferramenta para detectar algo que o exame de toque jamais identificaria..ele simplesmente me confirmou que a doença vem simples e assim...”de mansinho”. Agora era ajudá-la a lutar e curar-se.
Hoje, um ano e 4 meses depois estamos juntas comemorando mais um ano de vida e o sucesso dela contra esta doença tão silenciosa. A coroação para a enxurrada de perguntas a vários médicos, as inúmeras cirurgias, as sessões de quimioterapia, as internações por baixa de resistência, as crises de depressão inúmeras, as correntes de oração, as longas conversas telefônicas contra baixa estima – Sim porque às vezes você não quer nem se ver no espelho!!! – assim como as muitas visitas para apenas dizer a ela: “estou aqui...e vai passar...e estaremos aqui ainda...juntas!...e tudo vai ficar bem. Acredite em você!”
Estar ao lado de uma amiga muito próxima e vivendo todo este drama faz sem dúvida você refletir: “o que posso fazer mais por mim, pelas minhas filhas, pelas amigas, por outras mulheres?”
No Brasil e no mundo a incidência do câncer de mama aumenta em larga escala e aparece cada vez mais cedo na vida da mulher. O tratamento envolve mastectomia, quimioterapia e radioterapia que, pelos seus efeitos físicos, podem comprometer em variados graus a auto-estima, a imagem corporal e a identidade feminina daquelas que recebem o diagnóstico da doença. Além disso, em nossa sociedade, o câncer adquiriu significados relacionados à culpa, punição, deterioração, dor e morte, agravando o sofrimento psicológico das doentes.
Não é à toa que os cânceres assume um papel cada vez mais importante e até assustador, entre as doenças que mais atingem a população feminina, representando, no Brasil e no mundo, importante causa de morte entre as mulheres adultas. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2006), o número de casos novos esperados para o Brasil em 2006 é de 48.930, com um risco de 52 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais freqüente no mundo e o primeiro entre as mulheres. É relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. As estatísticas indicam o aumento de sua frequência tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes (INCA, 2006). No Brasil, é a primeira causa de morte por câncer na população feminina, principalmente na faixa etária entre 40 e 69 anos (INCA, 2006). Em países do Ocidente, entre todas as causas de óbito, ele é a mais comum em mulheres abaixo da idade de 50 anos (Boyd, 1999).
Pois é...a amiga de 38 anos era informada, cuidava de si e mesmo assim levou um choque.Hoje está mais forte e assumiu seu novo penteado, marca de uma intensa e dura experiência... Mas...e se se ela tivesse demorado a reagir? Havia perdido minha sogra, 5 anos antes pelo mesmo mal, no caso dela um câncer de mama tratado onze anos antes e com menos tecnologia ousou retornar de outra forma – via pulmão – e acometeu em 4 meses uma senhora de 76 anos de forma quase que fulminante...Dois casos de câncer, dois tipos de enfrentamento, dois resultados distintos...
REVISTA LIDER COACH | Outubro | 42