Quando falamos em superação, geralmente, vem-nos à cabeça a imagem de pessoas que se destacam por transporem uma grande adversida-de da vida com a “cabeça erguida”, surpreenden-do a todos com sua capacidade de resiliência e determinação. Estes exemplos tornam-se emblemáticos e acabam por inspirar seus pares numa espécie de “corrente do bem”. Quem não se comoveria diante da mulher que se dedica ao combate do câncer infantil após ter um filho vitimado pela doença ou um homem que se consagra no paradesporto após o grave acidente que o deixou paraplégico. Empresas também são organismos vivos formados por células que formam moléculas que formam tecidos e órgãos que compõem sistemas. Os empreendedores conferem a ela o seu DNA e, assim como um filho, sonham com o seu futuro. É sobre estes criadores e suas criações que abordaremos neste artigo.
A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada no Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), aponta que o Brasil está no topo do ranking mundial de empreendedorismo.
Quando comparado a países que compõem o BRICS, o Brasil é a nação com a maior taxa de empreendedorismo, ficando quase oito pontos percentuais à frente da China. A Índia tem uma taxa de empreendedorismo de 10,2%, a África do Sul de 9,6% e a Rússia de 8,6%. O número de brasileiros que já têm uma empresa, ou que estão envolvidas na criação de uma, é superior, também, a países como Estados Unidos (20%), Reino Unido (17%), Japão (10,5%), Itália (8,6%) e França (8,1%). A pesquisa revela ainda que a cada 100 brasileiros que começam um negócio próprio no Brasil, 71 são motivados por uma oportunidade de negócios e não pela necessidade.
Estes dados variam pouco mesmo quando o cenário é aparentemente desfavorável a novos negócios. Isso porque o cenário nacional é desfavorável o tempo todo! O chamado “Custo Brasil”, ou seja, um conjunto de dificuldades estruturais – uma doença crônica e asfixiante como a asma, torna o ato de empreender um desafio à sensatez. Se empreender requer coragem e determinação em qualquer parte do mundo, imagine no Brasil onde as MPEs nascem a fórceps. Então, o que faz tantos brasileiros desejarem ter seu próprio negócio?! O que justifica tamanho esforço?!
O empreendedor é, sobretudo, um visionário. Ter uma visão pode explicar tamanha bravura! Quem começa um novo negócio enfrenta dificuldades diárias a começar pelo caixa – numa analogia ao corpo humano, seria o próprio sangue da empresa – e não raro deparam-se com obstáculos intransponíveis que levam os negócios à bancarrota – algo tipo falência múltipla dos órgãos.
A “Taxa de Sobrevivência das Empresas no Brasil” que, segundo o Sebrae, chegou a de 73,1% em 2013, é um indicativo importante que remete a uma reflexão: apesar das adversidades, de cada 100 micro e pequenas empresas (MPEs) abertas no Brasil, 73 permanecem em atividade após os primeiros dois anos de existência. Este índice supera ao de nações como Espanha (69%), Itália (68%) e Holanda (50%), conforme dados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
As “sobreviventes” passam muito tempo na UTI, entre a vida e a morte. Para manter as portas abertas, muitas destas empresas operam no vermelho – uma espécie de hemorragia interna. O empreendedor “por vocação” recusa-se a desligar os aparelhos. Porém, quando vencido pelas circunstâncias, vê seu negócio ir a óbito. Este é o ponto! O negócio pode morrer, mas não a visão. Por isso, vale dizer que a alma do negócio é a visão, pois esta transcende a eventuais fracassos.
Sucesso faz bem
Fracasso também
Andrea Guerreiro
REVISTA LIDER COACH | Outubro |36 10