Hoje vivemos um paradoxo. Por um lado, reificamos as pessoas por outro animamos as coisas. Vocês já refletiram acerca disso?
Já pararam para pensar como às vezes temos essa mania, por um lado coisificamos as pessoas, ou seja, tomando-as por coisas, produtos e por outro animamos as coisas, dando alma aos objetos tornando-os seres. É engraçado, mas, isso acontece sempre que damos a algo externo ou alguém o status de felicidade.
Numa época de incertezas e vazios, como é possível ser feliz? Será que realmente todos têm o direito inalienável a felicidade? Olhe-se no espelho, com muita atenção. Você consegue se perceber? Reconhecer-se em teus sonhos e desejos? Refletir acerca de si mesmo e questionar a partir daí se, de fato, você é merecedor(a) da felicidade?
Friedrich Nietzsche (1844-1900) em um dos seus aforismos questiona: “Isso não me agrada”. Por quê? “Não estou à altura disso”. Algum homem já respondeu assim? Há quem diga que somente um louco não deseja ser feliz. Pode ser que isso seja verdade, se a felicidade for o distanciamento da dor e uma maior aproximação do prazer, ou como era para os gregos: um instante de vida que vale por ele mesmo. É possível que essa ideia de felicidade faça sentido. Porém, gostaria de ressaltar que muitas coisas que nos dão até náuseas só de pensar, para outros são confortantes e prazerosas, sendo assim, voltamos para o início da conversa, o que pode ser considerado como felicidade?
Algumas pessoas levam esse ideal tão a sério que muitas estão entrando em profunda depressão por não o conquistar. Muitas pessoas sentem-se fracassadas, não sendo aceitas em determinados grupos sociais, por não conseguirem essa aquisição: “a felicidade”.
Nos relacionamentos amorosos, esse fenômeno é cada vez mais presente. Acredito que muitos já ouviram: terminei o meu relacionamento porque ele ou ela não me fazia mais feliz, ou em uma discussão de casal em que um diz: você não me faz mais feliz por isso não dá mais certo. Ora, precisamos nos sentir muito desesperados para acreditar na possibilidade de que só seremos felizes com o outro, essa crença é limitante.
Talvez o leitor, destas reflexões compartilhadas neste texto, indaga-se: será que a pessoa que escreve é contra as pessoas serem felizes? Respondo-lhe: Não! O que me leva a refletir não é a impossibilidade da felicidade, mas as generalizações conceituais. Ou seja, quando generalizamos um conceito ou um sentimento, tal como a ideia fixa de que a vida só vale a pena se conseguirmos algo que foi definido a priori como bom, sem que essa ideia seja reflexionada, sem que nos detenhamos em analisar o fato ou mesmo elaborar algum questionamento.
Quando falamos que algo do senso comum é bom e deve ser o objetivo principal de todos, devemos levar em conta uma série de fatores antes de tal afirmação. É razoável imaginar que não seja possível realizar esse processo em relação à felicidade, ou seja, a felicidade não pode ser demonstrada com razões empíricas como muitos pretendem, pois, cada indivíduo é único, genuíno e singular, logo cada experiência é única também.
Será que todos têm
o direito À felicidade?
Fabrício Mendes
REVISTA LIDER COACH | Outubro | 32