No ano de 2015, quando surgiu a oportunidade de fazer a viagem para a Índia e ter a oportunidade de participar do Quanta, confesso que eu fiquei em dúvida se participaria ou não, mas graças a conversas que tive com meus familiares e com minhas amigas, acabei me convencendo de que tinha potencial e então, começaram os processos seletivos- que duraram cerca de um mês. Ao final da seleção, quando vi que havia sido uma das meninas a entrar na lista de aprovação, estávamos em 6 meninas e 1 menino. Meu coração disparou, e eu comecei a me perguntar se eu era mesmo capaz de tudo isso, já que minha mente ainda insistia na ideia de que somente pessoas que estudam 24 horas por dia têm capacidade para isso. Mas eu não abri espaço para o desânimo e ajustei a minha rotina, aumentando os estudos para 5 horas por dia fora da escola, e claro, sem parar de fazer as coisas que gosto. Comecei a me atentar mais às aulas e, finalmente, no dia da viagem, eu mudei a minha mente e parei de pensar: “Eu TENHO que fazer” e comecei a pensar: “Eu QUERO ir e dar o meu melhor”. Porém, não foi tão fácil assim. Antes do dia tão esperado, tivemos ainda um árduo processo de arrecadação de fundos para que pudéssemos chegar até o nosso destino final: uma das maiores competições de matemática, ciências e habilidade mental do mundo.
Quando finalmente, após vinte horas de voo e duas escalas, chegamos a cidade de Lucknow. Logo de início, pudemos notar que assim como estávamos ansiosos para ir, estavam também ansiosos para nos receber, pois fomos recebidos com tapete vermelho, colares de flores e grandes sorrisos no rosto pelos alunos e alunas voluntários da City Montessori School- a organizadora da competição. Somente então, me dei conta do que estava fazendo: representando o nosso país e as meninas dele, que muitas vezes são reconhecidas apenas por sua beleza e o ritmo de seus pés em nossa dança, de um modo diferente do que estamos habituadas a ver. Eu e minhas amigas e amigo, estávamos realizando o sonho de recebermos reconhecimento pela nossa inteligência e o esforço que tivemos para chegar até lá.
Foram longos os dias que passamos por lá, estávamos focados nas provas e nas competições que tínhamos pela frente. Certamente deixamos a nossa marca na Índia, não só pelo motivo de que fomos até lá, mas também pelo carisma -graças ao tempo livre que tínhamos e usávamos para construir amizades que permanecem até hoje. No primeiro dia de competições, dia 14 de novembro, tivemos três provas, Mental Ability (Raciocínio Lógico), feita por mim, matemática e um debate utópico sobre celulares. Infelizmente não fomos classificados para a fase final, mas somente a experiência de estar lá, já teve um grande impacto em nossas vidas. O segundo dia, foi o dia das provas de robótica. Tivemos um desafio aquático onde nosso barco, feito pela Mariana e pela Giovanna, ficou em 6º lugar e tivemos também uma corrida obstáculo robótico, onde não conseguimos alcançar a final, mas nos orgulhamos do nosso trabalho. Tivemos também, a primeira fase do Quiz de ciências, que teve seu fim no dia seguinte, onde Rubia e Isabela chegaram até a última fase, deixando a todos nós com um enorme sorriso de orgulho estampado nos lábios. Fora as provas, tivemos também a oportunidade de junto a outras três delegações brasileiras, mostrarmos um pouco de nossa cultura para os participantes dos outros países, e também os convidamos para vivenciar conosco uma animada roda de capoeira.
REVISTA LIDER COACH | Dezembro | 33