REVISTA LÍDER COACH Revista Líder Coach DEZEMBRO DE 2015 #12 | Page 12

Fanatismo,

Diversidade

e Sustentabilidade

Alfredo Barbetta

REVISTA LIDER COACH | Dezembro | 12

A Argentina é maravilhosa, acolhedora, culta. Tem uma arquitetura única, estável e imponente. A culinária é ímpar. Na Argentina não se come, se saboreia uma refeição acompanhada de vinhos encorpados e deliciosos. As carnes são macias, vermelhas e suculentas. As avenidas são largas e as cidades planejadas... e o tango? Que dança! Que movimento cadenciado, sedutor, imperativo! A Argentina nos deu o primeiro Papa Sul-americano. Um Papa que “quase” fala a nossa língua, “quase” um Papa Brasileiro. Além disso, a Argentina deu uma guinada política, e elegeu Mauricio Macri, abrindo caminho para a renovação política da América, quebrando os “podres poderes” de uma esquerda arcaica embolorada. Nos campos da saúde, da tecnologia, da psicologia, da administração e da filosofia, a Argentina nos presenteou com muito conhecimento de qualidade ... de fato, a Argentina é uma dos lugares mais lindos da América.

Agora pense na Argentina em dia de jogo de futebol contra o Brasil... imediatamente esquecemos tudo isso e a Argentina vira nossa pior inimiga.

O fanatismo é um reducionismo cognitivo – de crenças e valores – e que percebe a realidade de forma rígida e fundamentalista e com isso elege inimigos, que serão prosseguidos e derrotados. O fanatismo é pensamento único ou monocultura que impõe uma perspectiva excludente reduzindo a percepção e a capacidade de negociação.

Quando temos uma derrota ou quando não concordam com nosso ponto de vista, é normal sentirmos um desconforto ou uma angústia (dissonância cognitiva). Porém, o fanático – seja por um Deus, por um Time, por uma Cultura, por uma Ideia – não suporta essa angústia, pois o fanatismo é o máximo de rigidez, o avesso da sustentabilidade, da perenidade e do sucesso, cuja base está na complexidade da diversidade, da negociação, da criatividade e da flexibilidade.

O fanático só enxerga por um ângulo, por uma lógica, por uma perspectiva... a sua! Torna-se cada vez mais reducionista, negando-se a aprender, não suportando a diferença, reduzindo a realidade, e, ao simplificá-la, impõe a cultura do medo. O fanatismo é, certamente, a atitude mais insustentável.

Os EUA, a Espanha e a França são os principais alvos. As vítimas somos todos nós. Nós que ousamos criar, inovar e conviver com a diferença, protegendo a livre iniciativa, a democracia, a negociação e a flexibilidade. Somos as vítimas da única via, da visão unidirecional, da ditadura, do pensamento único.

Sustentabilidade e Fanatismo são opostos. Sustentabilidade diz respeito à identidade e à sua valorização; à parceria e ao reconhecimento do outro; à participação, à contribuição e à cumplicidade; à reciclagem e à coragem de integrar o velho ao novo e tem, na incompletude – que nos faz sair do isolamento em direção ao outro – seu princípio, meio e fim.

Ah se eu fosse pregador! Talvez pregasse nesse templo que um novo tempo pode surgir da nossa capacidade de trocar, interagir, mudar, flexibilizar, compreender, acolher e viver promovendo, protegendo e provendo nossas organizações, instituições e comunidades de uma perspectiva de esperança, parceria e competência solidária.