REVISTA LÍDER COACH N 13 - Janeiro - 2019 - Ano VI | Page 7

preparação pastoral em uma igreja evangélica Neo Pentecostal. Porém, o lado profissional voltou a falar mais alto e voltei-me aos afazeres do dia a dia de minha empresa. Mais tarde fiz pós-graduação em assuntos de religião, cursos sobre Cabala e, quando a minha funcionária de casa se converteu ao Islamismo (que será objeto de um texto futuro), decidi conhecer um pouco mais sobre essa religião também. Fico admirado como é incrível e profunda a conexão que existe entre todas as religiões e o como é simples a síntese de seus ensinamentos. Por exemplo, é magnífico perceber a profunda conexão existente entre as chamadas religiões Abraâmicas - Cristianismo, Judaísmo e Islamismo! Elas são primas entre si. O que quero dizer com isso? Na verdade, quero convidar a todos a olhar a própria fé sob uma nova perspectiva. Crer em seu significado original (de onde derivam os credos) é apenas e tão somente: Amar, Cuidar, Querer. Significa: Eu me comprometo. Eu me envolvo. Esse é o significado. Muito mais do que aceitar ritos. Praticar a fé não é acreditar em coisas, mas ser levado a agir no seu dia a dia de forma diferente, maior, altruísta. Creio, neste sentido, que a compaixão é a principal prática da fé. Sentir como se fosse o outro. Cinco séculos antes do surgimento do Cristianismo, na China, Confúcio formulou a “REGRA DE OURO”: NÃO FAÇA AOS OUTROS O QUE NÃO QUER QUE FAÇAM COM VOCÊ. Assim agindo, atingiríamos um estado de transcendência que ele denominava de REN, cuja tradução livre pode ser Calor Humano ou a transcendência de si mesmo e por si mesmo. Tão simples. Tão difícil.... sucesso já! -; vemos pessoas que se descrevem como “crentes” que ao invés de ouvir as palavras de Jesus sobre Amor ao Próximo usam as escrituras para julgar e oprimir aos outros. Usam e abusam da religião para obtenção de ganhos nefastos. Quando assim nos propomos a agir e de fato o fazemos, nos destronamos do “centro do mundo”; ficamos livres do nosso ego. Um rabino chamado Hilel, contemporâneo de Jesus, foi desafiado certa vez por um ateu que lhe propôs o seguinte: Se você me explicar toda a Torá enquanto fica em uma perna só, me converterei ao Judaísmo. E Hilel, colocando-se em uma perna só disse: “O que for ruim para você, não faça para seu vizinho. Essa é a essência da Torá, o resto são comentários. Vá estudá-la. “ Como, então, evitar esse “analfabetismo religioso”? Ainda citando sábios hebreus, Meier disse certa vez que qualquer interpretação das escrituras que gere ódio, desdém ou desprezo por outras pessoas é ilegítima. Nessa mesma linha Santo Agostinho dos católicos diz “as escrituras ensinam apenas caridade e não podemos deixar de estudá- las até que nelas encontremos uma visão da compaixão”. E o teste para encontrarmos compaixão em textos tão intrincados e muitas vezes até com passagens repugnantes é um excelente ensaio para fazermos o mesmo em nosso dia a dia. Vivemos um tempo onde a religião foi sequestrada. Terroristas citam o Corão para justificar suas atrocidades, pastores vendem Jesus - milagres e Creio que o primeiro aspecto a abordar é uma inversão do que temos praticado até agora. Hoje acredita-se mais em coisas, ritos, dogmas; o secundário acaba ocupando o lugar principal e o essencial vai para segundo plano. Muitos preferem ter razão à compaixão. E o essencial está descrito na regra de ouro. Este é, em síntese, o objetivo deste Movimento do Deus Único. As pessoas querem ser religiosas e podemos notar isso no crescente interesse por questões de espiritualidade. Há fome por mudanças. Queremos criar um movimento positivo de mudanças, desmistificando e simplificando o conceito de DEUS, dando destaque ao que temos de maravilhoso na centelha divina que cada um traz dentro de si. Resgatar a compaixão, o amor e o perdão. Isso explica tudo. Resgatar a fé das pessoas que foi sequestrada pelas religiões. E tornar a religião uma fonte de paz no mundo. Sérgio Guimarães Pereira Júnior é empresário e fundador do Movimento do Deus Único 7